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Exportadoras quintuplicam lucro e reduzem endividamento


Fonte:Maurício Capela, Ivo Ribeiro e Nelson Niero (Valor Online)

Exportar continuou sendo o melhor negócio para as empresas no primeiro trimestre e, mesmo com a valorização recente do real, os analistas apostam no setor externo como salvador da pátria.

O lucro líquido de 22 empresas de capital aberto que estão entre as maiores exportadoras do país quintuplicou, em termos reais, em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 3 bilhões. O resultado é uma combinação de aumento da receita de vendas em reais - o dólar fechou perto de R$ 3,30 em março - e uma redução de 60% nas despesas financeiras líquidas no período.

Com a mudança do perfil de endividamento as empresas saem da crise melhor do que entraram. Muitas usaram os ganhos com as vendas externas para abater dívidas e, se por um lado elas perdem competitividade agora que o dólar procura um patamar longe dos picos do ano passado, podem, por outro, beneficiar-se de uma redução de custos a médio prazo, além do menor impacto contábil do câmbio nas dívidas em dólar.

"As empresas mais endividadas, principalmente em setores alavancados, como siderurgia e petroquímica, passaram no teste do dólar a R$ 3,90", diz Afonso Arnhold, diretor da corretora Geração Futuro. "Agora, estão numa conjuntura operacional muito favorável, com boa geração de caixa."

A agência de classificação de risco Fitch Ratings reconheceu a melhora no ambiente e tirou, na semana passada, várias empresas da sua lista de ameaçadas de rebaixamento. Citando uma "retomada de performance do comércio ao exterior" e "desempenho financeiro sólido, apesar do ambiente operacional desafiador", a agência tirou da sua lista de "watch negativo" Aracruz Celulose, Bunge Alimentos, Braskem e CSN.

A valorização do dólar impulsionou as exportações das fabricantes de papel e celulose do país no primeiro trimestre. Apesar da reação do real frente à moeda americana, a onda continua. "Os fabricantes de celulose devem continuar ganhando mercado no exterior, mesmo que o dólar fique inferior a R$ 3, porque a competitividade está no custo e não no câmbio. No Brasil, o custo operacional de uma tonelada é perto de US$ 180, contra US$ 300 no mundo", afirma Paschoal Paione, analista da corretora Fator Doria Atherino. Segundo ele, a análise vale para Aracruz, Bahia Sul e Votorantim Celulose e Papel (VCP).

O analista afirma que companhias como Klabin, Ripasa e Suzano deverão diminuir o ritmo de vendas para o exterior. Para ele, um câmbio abaixo de R$ 3 torna atrativo também o mercado interno. "Resta saber se haverá demanda no país", diz.

Os números do balanço do primeiro trimestre da VCP confirmam a análise de Paione. As exportações da empresa assumiram 55% dos negócios, contra a participação de 45% do mercado interno. Historicamente, as vendas locais representavam 60%.

O mercado internacional também aumentou a sua participação nos negócios da maior fabricante de papel e celulose do país, a Klabin. No trimestre, as exportações representaram 37% da receita líquida, contra uma fatia de 31% em igual período de 2002.

O balanço mostra que os embarques para o exterior renderam R$ 355 milhões, um acréscimo de 85% em relação ao registrado em 2002. Em moeda forte, a empresa vendeu US$ 102 milhões, contra US$ 80 milhões no ano passado.

Além de impulsionar o faturamento, o desempenho também contribuiu para diminuir a relação entre endividamento líquido e geração de caixa. A relação passou de 3,4 vezes para 2,4 vezes neste trimestre. O objetivo é chegar a menos de 2 vezes neste ano.

Na Suzano, a relação caiu de 3,06 vezes para 2,28 vezes no primeiro trimestre. Com uma receita líquida de R$ 353,2 milhões, um acréscimo de 45,7%, as exportações propiciaram um faturamento de R$ 126,4 milhões. Os embarques haviam sido de R$ 78,2 milhões em igual período de 2002.

O bom desempenho das exportações também ajudou a diminuir o endividamento da petroquímica Braskem. A relação entre a geração de caixa e a dívida líquida caiu de 3,17 vezes para 2,57 vezes.

Osvaldo Schirmer, vice-presidente-executivo do grupo Gerdau, ressalta, no entanto, que o primeiro trimestre foi atípico, que contou com benefícios da demanda e preços internacionais fortes, aliados a uma taxa de câmbio favorável.

O grupo exportou 40% da produção consolidada, ante uma média histórica de 20% a 25%. Schirmer ressalta que houve o fator Açominas - que embarca para o exterior 60% de tudo que faz - no resultado do grupo.

O executivo vê dificuldades de as empresas em geral do setor repetirem o feito no segundo trimestre, pois já há ajustes para baixo tanto nos preços quanto na demanda. "As margens não serão as mesmas." A Ásia, com estoques elevados de material, retraiu suas compras. Entretanto, exportação e câmbio favoráveis ainda serão uma componente importante na receita e na formação do resultado.

O lucro duplicou no trimestre sobre o mesmo de 2001, alcançando R$ 288 milhões. "Não fizemos abatimento de dívida, que está num nível confortável - total líquido de R$ 5,9 bilhões - porque estamos num processo de investimentos nas usinas", comentou. São US$ 230 milhões neste ano.

A prioridade da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas, Cosipa e CST, com lucros robustos e geração de caixa elevada, foi o abatimento de dívidas. Essas companhias têm a maior parte do passivo em dólar e a estratégia, a partir do segundo semestre de 2002, foi exportar cada vez mais.

A Cosipa, com uma linha de produção (placas) dedicada à exportação, aumentou as vendas ao exterior no trimestre em 60%. No período, a receita líquida com exportação cresceu 252%, alcançando R$ 268 milhões. Para 2003, o volume de embarques previsto é de 1,6 milhão de toneladas, gerando receita na casa de US$ 450 milhões, diz Magno Gonfiantini, diretor financeiro.

Na CSN, que chegou a embarcar 50% da produção em certos momentos do trimestre, a geração de caixa subiu 90% e a receita líquida 49%. Segundo a empresa, houve maior participação das exportações na receita, de 18% para 27%. De perdas de quase R$ 200 milhões no primeiro trimestre, a empresa passou a um lucro de R$ 406 milhões. A dívida líquida foi reduzida em 5% sobre o fim de 2002 - para US$ 1,37 bilhão.


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