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Balanço das papeleiras deve receber novo foco 09/4/2009 - A valorização do dólar em relação ao real desde setembro passado teve forte influência sobre os balanços de terceiro e quarto trimestres das empresas brasileiras do setor de celulose, que apresentam elevado nível de endividamento em moeda estrangeira. Esse movimento cambial, somado ao uso de operações com derivativos tóxicos por algumas empresas, provocou prejuízos recordes e norteou os debates sobre os balanços do setor, o que dificultou a análise dos resultados operacionais por parte dos investidores.
Essa tendência não deverá se repetir na temporada de balanços do primeiro trimestre de 2009, devido à maior estabilidade do câmbio neste começo de ano. Analistas acreditam que os efeitos de perdas com operações financeiras, como os vistos no final de 2008, devem ter menor relevância no começo de 2009, uma vez que já foram computados nos balanços de quarto trimestre. Com isso, os investidores poderão dar prioridade à análise do saldo operacional das companhias.
Apesar dos prejuízos recordes anunciados por empresas como Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP), a análise sobre os resultados do quarto trimestre de 2008, na avaliação de analistas, não pode deixar de olhar para a operação das empresas. "O resultado operacional do trimestre pode ser considerado positivo, quando se fala em celulose, porque houve uma retomada das compras pela China sobre o terceiro trimestre e uma variação cambial favorável às exportações", destaca o analista da SLW Corretora, Pedro Galdi.
O balanço das companhias reforça essa interpretação. A Suzano Papel e Celulose, por exemplo, registrou lucro operacional de R$ 272,116 milhões no trimestre, uma expansão de 16,8% em relação ao resultado do terceiro trimestre de 2008 (R$ 233 milhões) e de 37,6% sobre o quarto trimestre de 2007 (R$ 197,72 milhões). Os números, apurados pela consultoria Economática, consideram os demonstrativos enviados pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sem ajustes pro-forma ou atualização pela inflação.
A Klabin, que tem atuação concentrada no segmento de papéis, também registrou expansão no lucro operacional do quarto trimestre. O resultado de R$ 88,669 milhões superou em 80,5% a marca do terceiro trimestre de 2008 (R$ 49,108 milhões) e em 15,6% o índice do quarto trimestre de 2007 (R$ 76,698 milhões). Em ambos os casos, os indicadores das empresas foram impulsionados pelo aumento da receita, proveniente de expansões de capacidade. A Suzano deu início em agosto de 2007 às operações da segunda linha de celulose da unidade de Mucuri (BA). Já a Klabin ampliou a oferta de papéis da unidade de Monte Alegre em outubro daquele mesmo ano.
Aracruz e VCP, por sua vez, não ampliaram a oferta nos últimos meses e tiveram resultados contraditórios na mesma base de comparação. A VCP apurou lucro operacional de R$ 59,47 milhões no quarto trimestre de 2008, resultado 311,7% superior ao registrado no mesmo período de 2007 (R$ 14,44 milhões), mas aquém da marca do terceiro trimestre de 2008 (R$ 64,86 milhões).
Já a Aracruz anunciou lucro operacional de R$ 167,99 milhões no quarto trimestre, uma alta de 155% sobre o terceiro trimestre (R$ 65,75 milhões), mas abaixo do resultado dos três últimos meses de 2007 (R$ 263,93 milhões). A favor das quatro empresas do setor pesaram a redução dos custos com alguns insumos, como produtos químicos, e com o transporte dos produtos. Além disso, a valorização do dólar frente ao real tornou mais rentável a exportação das mercadorias. Na outra ponta a redução dos preços internacionais dos produtos e do ritmo de produção e venda pressionou negativamente os lucros operacionais do setor.
Para o primeiro trimestre de 2009, prevê o analista da Planner Corretora, Peter Ping Ho, é provável que os resultados operacionais venham em linha com os números do quarto trimestre do ano passado, uma vez que não houve forte variação cambial ou de preços da celulose ou do papel. Além disso, os balanços do período não trarão mudanças expressivas na capacidade das empresas, à medida que as unidades da Suzano e Klabin já registram níveis regulares de produção desde o ano passado. E a única adição de capacidade deste começo de 2009 é a fábrica de Três Lagoas (MS) da VCP, que entrou em operação no último dia 30 de março e, portanto, terá efeito praticamente nulo nos resultados do primeiro trimestre.
O impacto do início das operações de uma nova unidade de celulose pode ser dimensionado pelos resultados da Suzano em 2008. Graças à nova capacidade de 1 milhão de toneladas anuais, a companhia foi o principal destaque de 2008, com crescimento de 19,2% na receita líquida, que atingiu R$ 4,06 bilhões. A receita conjunta de VCP, Suzano e Aracruz, as três maiores fabricantes de celulose do País, teve alta de 7,8% em 2008, totalizando R$ 10,62 bilhões. Quando incluído o resultado da Klabin, que atua no segmento de papéis, a receita líquida do setor totalizou R$ 13,11 bilhões, uma expansão de 5,2% sobre o ano anterior.
Jornal do Comércio - RS | |  |  |  |  |
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