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Mucuri sente efeitos da crise da Suzano


02/02/1009 - Suzano demite e cidade sofre

A crise financeira mundial fez com que a lavadeira de roupas Janete Porto Cardoso, 43 anos, perdesse cinco clientes, gerando uma redução de quase 50% em seu orçamento. Ela é moradora de Itabatam, distrito de Mucuri (município do extremo sul a 892 km de Salvador), onde prestadores de serviço e o comércio em geral vêm sofrendo com as demissões de funcionários da multinacional Suzano Papel e Celulose.

A empresa possui uma unidade industrial no distrito, que tem 18 mil habitantes, mais da metade de Mucuri. Até ontem, foram 70 demissões, e a previsão é que até fevereiro o número de dispensados chegue a 140. A maioria dos funcionários demitidos é de outras cidades e já foi embora. A lava deira Janete só tem hoje mais três clientes e, do jeito que vai, terá de voltar a ser diarista. Ela ganhava, em média, R$ 60 por cada trouxa de roupa. E as previsões para o distrito, responsável por 70% da arrecadação mensal de impostos de Mucuri, são as piores possíveis. A fábrica da Suzano tem cerca de 800 funcionários diretos e pelo menos o dobro de trabalhadores indiretos. Informações não oficiais dão conta de que a empresa está reincidindo contratos com os fornecedores, o que gera mais desemprego. “Depois que acabar o 13º e o seguro-desemprego dos trabalhadores, o nosso comércio terá momentos muitos difíceis. Nós já tivemos redução nas vendas e esperamos que caia mais ainda”, disse, sem falar em percentagens, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Mucuri, Vanilson Reis, o Alemão, que possui loja de materiais de construção em Itabatam e diz já ter sentindo a crise.
Na opinião do presidente do Sindicato Nacional dos Papeleiros (Sinap), Iduigues Martins, não há justificativa para as demissões. “A Suzano vem lucrando todo ano com as exportações e sabemos que há dinheiro dos lucros acumulados que dá para segurar os trabalhadores”, disse Martins, que se reuniu durante todo o dia de ontem com a diretoria da empresa em Mucuri, sem avanços nas negociações. Das 70 demissões da Suzano, dez ocorreram ontem. “Tinha planos de comprar uma casa e agora terei de ir embora”, disse Rafael da Silva Costa, 27, que é de Vitória (ES) e trabalhava como operador de acabamento.

A Suzano divulgou comunicado à imprensa. “A crise mundial deflagrada a partir do último semestre de 2008 exigiu a adoção de uma série de medidas para que possamos continuar trabalhando de forma preventiva e enfrentar com solidez a instabilidade dos mercados internacionais e seus impa ctos na economia brasileira, especialmente em um setor como o nosso, cujas exportações representam grande parte do faturamento”, diz um representante da empresa. Fonte: A Tarde


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