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CRISE:empresas perdem R$ 50 bi 27/01/2009 - Os efeitos da crise econômica mundial não seriam tão graves para o Brasil se as empresas nacionais tivessem tido maior cuidado com as operações cambiais que fizeram no ano passado, quando o dólar, em relação ao real, estava em baixa. A opinião é do economista José Luís Oureiro, professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, órgão consultivo da Presidência da República, para quem a crise chegou com força por aqui porque as empresas brasileiras fizeram operações que precisavam do dólar baixo.
Oureiro estima que as perdas das empresas nacionais acumuladas até agora, desde que o dólar disparou, já somam R$ 50 bilhões. E não foram só a Aracruz e a Sadia que perderam, como chegou a dizer, em novembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Muitas outras empresas, em vários setores, ficaram na mesma situação, inclusive redes de farmácias” – destacou o professor da UnB.
O economista lembrou que as perdas das empresas gerou uma quebra de confiança, um ciclo que o governo ainda não conseguiu romper. “As perdas causaram um pânico entre os bancos, que reduziram drasticamente o crédito entre outubro e novembro. Foi o segundo choque. Depois, veio a redução da produção e das vendas, o que poderíamos chamar do terceiro momento dos efeitos da crise no Brasil”, explicou Oureiro.
O quarto momento, na opinião do economista, é a perda do emprego, o fechamento dos postos de trabalho, que pode acarretar uma nova rodada de redução das vendas e da produção. “É um efeito multiplicador, destaca o professor.
Em dezembro do ano passado os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho apontaram 650 mil demissões, mais que o dobro da média registrada para o mês nos últimos anos. O governo esperava que com a crise o número de demissões ficasse em aproximadamente 350 mil.
Aposta errada
A Sadia foi a primeira vítima brasileira da crise financeira mundial aberta pelo colapso do sistema imobiliário norte-americano. Em setembro de 2008, a empresa admitiu ter perdido R$ 760 milhões devido a uma aposta errada em relação ao dólar. Por causa do prejuízo, o diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo da Sadia, Adriano Lima Ferreira, foi demitido.
Além da Sadia, a Aracruz, que atua no setor de papel e celulose, também perdeu uma grande soma por apostar errado em relação ao dólar. As ações da empresa Aracruz caíram 16% no ano passado.
O problema com a Sadia e a Aracruz foi o primeiro sinal de que a crise chegou ao Brasil. Isso porque estas perdas são decorrentes da alta do dólar, motivada pela aversão ao risco que tomou conta dos mercados. Regra geral, em momentos de crise, os investidores buscam segurança em títulos da dívida norte-americana, o que provoca a valorização do dólar.
Autor: Carlos Terceiro
Fonte: NA HORA OnLINE | |  |  |  |  |
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