Economia Solidária; uma ferramenta
no caminho ao socialismo
Para entender melhor a Economia Solidária
como uma ferramenta que permite o desenvolvimento
de ações que visam amenizar o terrível
flagelo da exclusão social, que a cada
dia condena à miséria milhões
de trabalhadores brasileiros, dignos de direitos
e condições de vida com qualidade,
por suas contribuições para o desenvolvimento
do país, é necessário realizar
uma análise de alguns aspectos que proporcionam
e mantém tamanha injustiça.
Os produtos e serviços para satisfazer
as necessidades básicas como, comer, estudar,
vestir, etc, tem um custo composto por : matéria
prima, maquinários, trabalho e mais-valia,
dentre outros. Assistimos, a cada dia, as mudanças
nas tecnologias e na organização
do trabalho, que, a princípio, deveriam
diminuir custos, visando maior acesso da população
aos produtos e serviços. Porém,
é possível observar, que embora
haja uma diminuição dos custos,
não há diminuição
dos preços desses produtos. A poupança
gerada pela diminuição dos custos
vai parar no bolso dos donos dos meios de produção,
dos patrões.
Outro aspecto a ser considerado com as mudanças
tecnológicas, é a eliminação
de postos de trabalho, causando uma dupla conseqüência.
Primeiro, o aumento do desemprego e segundo, maior
acumulação de riqueza para os patrões.
Um fenômeno também é gerado
com essa situação, e que parece
não ser percebido, ou seja, quanto maior
o número de desempregados, menor o número
de pessoas para consumir os produtos. O trabalhador
desempregado deixa de ser um cliente.
Na verdade, não é que esse fenômeno
passa desapercebido, mais faz parte da lógica
de mercado. O mercado vai construindo um exército
de reserva com os desempregados, o pouco número
de vagas e a grande quantidade de desempregados,
gera maior disputa entre os mesmos e uma situação
confortável para os patrões, que
empregam mão-de-obra cada vez mais baratas.
Essa lógica desenvolvida pelo capitalismo
aumenta cada vez mais a pobreza e a exclusão,
gerando para a Economia Solidária a responsabilidade
de atender esse público, já que
têm a solidariedade, como sua principal
missão.
A ECONOMIA SOLIDÁRIA COMO ALTERNATIVA
A Economia Solidária oferece alternativas
de criar empreendimentos de produção
e de serviços autogetionários, ou
seja, os trabalhadores atuando sem patrão,
visando cobrir suas próprias necessidades
e as de seus companheiros de classe, com a responsabilidade
sobre o cuidado com a qualidade do meio ambiente,
do crescimento pessoal e de igualdade de oportunidades.
Essa nova ferramenta, além de inserir mudanças
na organização do trabalho deve,
obrigatoriamente, gerar diminuição
dos custos e dos preços a favor dos excluídos
do capitalismo. A mais-valia, nesse processo,
é substituída por uma retirada possibilitando
aos trabalhadores uma vida mais digna, com direitos
enquanto cidadãos e ainda, propiciando
o acesso aos produtos, por consumidores em situação
mais vulnerável.
Porém, para o fortalecimento da Economia
Solidária, deveria a cada dia, ter mais
consumidores para os produtos gerados por empreendimentos
populares, no entanto, a propaganda capitalista
que estimula o consumo desenfreado de produtos
feitos por grandes industrias, impede a ampliação
e a potencialização desse mercado
alternativo, que visa, sem dúvida, um consumo
ético e solidário. Considerando
esses aspectos, podemos afirmar que há
uma grande batalha a ser enfrentada, já
que, os produtos gerados em por empreendimentos
solidários, ainda não são
mais baratos que os produzidos por grandes industrias
.
Para que esses produtos possam ter seus custos
diminuídos, e consequentemente seus preços,
um aspecto é fundamental, a intervenção
do governo, através de investimentos em
tecnologia social, ou seja, o desenvolvimento
de pesquisas que visem elaborar metodologias com
tecnologia e qualidade para a produção,
com baixos preços e com capacidade de competir
no mercado. Essas pesquisas com certeza, deveriam
ser assumidas e desenvolvidas pelas universidades
públicas, que através de seu acumulo
de conhecimento, devem contribuir para a melhora
das condições de vida do trabalhador.
Neste cenário, poderíamos indagar:
a introdução de tecnologia na Economia
Solidária não geraria desemprego,
já que, ela não elimina a lógica
perversa do capitalismo?. Não, se estabelecermos
a seguinte lógica: os ganhos adquiridos
com a introdução tecnológica,
geraria o desenvolvimento de novas atividades
para as pessoas que seriam substituídas,
ou seja, neste sentido, a tecnologia seria uma
aliada do trabalhador.
OS TRÊS PILARES PARA A SUSTENTABILIDADE
DESSE PROCESSO
Para que o processo mencionado seja bem sucedido
e para que o trabalhador tenha a mobilidade desejada,
há a necessidade de implementação
de uma política contínua de elevação
de escolaridade, visando o desenvolvimento de
habilidades para a compreensão e re-elaboração
de novos conhecimentos, possibilitando sua aplicabilidade
em quaisquer área de trabalho.
A qualificação técnico profissional
do trabalhador, resulta no segundo elemento fundamental
para que a Economia Solidária possa ser
ampliada como um mercado alternativo, pois, ela
permitirá que o trabalho seja aprimorado
nas diferentes áreas do processo produtivo.
Assim, consideramos esses dois elementos vinculados
a educação: Elevação
da escolaridade e qualificação técnico
profissional, como essenciais para o sucesso da
proposta supramencionada. Lutar por esses direitos,
significa a mudança do rumo do país,
com um caráter revolucionário e
urgente.
O terceiro elemento, a nosso entender, esta relacionado
ao tamanho dos empreendimentos, ou seja, ressaltamos
acima que a Economia Solidária não
rompe com a lógica de mercado capitalista,
assim, da mesma maneira que as empresas de grande
porte têm mais poder que as empresas menores
e muitas vezes as primeiras derrubam as outras,
por uma razão da relação
poder X fragilidade, para a Economia Solidária,
isso também é válido, quando
trata-se do tamanho e situação dos
empreendimentos.
Obviamente que não estamos falando de
uma acumulação de capital para a
construção de grandes empresas,
e sim, estamos apontado a necessidade do desenvolvimento
de cadeias produtivas e redes de produção
e consumo , que estabelecerão uma relação
em prol dos interesses desse mercado alternativo,
de acordo com as características já
atribuídas anteriormente.
A CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO
Se refletirmos sobre tudo o que foi mencionado,
que a Economia Solidária leva à
uma distribuição mais justa da riqueza,
podemos acreditar que estamos diante de um "modelo
sonhado", mas não é assim,
se lembrarmos que o capitalismo e seus serventes/beneficiados
não descansam e não dão trégua.
É só observarmos quais os interesses
que representam a maior parte dos políticos
que teriam poder para mudar as leis e alavancar
a emancipação das classes oprimidas,
para percebermos que enquanto o capitalismo não
ser erradicado definitivamente, e não houver
a substituição pelo "poder
dos trabalhadores", não haverá
sossego e não será possível
a construção de bases sólidas
para um modelo de justiça social.
Para a eliminação da espiral contínua
da exclusão social, para pararmos de apagar
o fogo como bombeiro, para semearmos o Brasil
do futuro, é necessário continuarmos
permanentemente a construção da
ferramenta Economia Solidária, sem pararmos,
nem apenas um minuto de lutar rumo ao caminho
do socialismo.
Carlos Trinidad é educador
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