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  Carlos Trinidad

Economia Solidária; uma ferramenta no caminho ao socialismo


Para entender melhor a Economia Solidária como uma ferramenta que permite o desenvolvimento de ações que visam amenizar o terrível flagelo da exclusão social, que a cada dia condena à miséria milhões de trabalhadores brasileiros, dignos de direitos e condições de vida com qualidade, por suas contribuições para o desenvolvimento do país, é necessário realizar uma análise de alguns aspectos que proporcionam e mantém tamanha injustiça.

Os produtos e serviços para satisfazer as necessidades básicas como, comer, estudar, vestir, etc, tem um custo composto por : matéria prima, maquinários, trabalho e mais-valia, dentre outros. Assistimos, a cada dia, as mudanças nas tecnologias e na organização do trabalho, que, a princípio, deveriam diminuir custos, visando maior acesso da população aos produtos e serviços. Porém, é possível observar, que embora haja uma diminuição dos custos, não há diminuição dos preços desses produtos. A poupança gerada pela diminuição dos custos vai parar no bolso dos donos dos meios de produção, dos patrões.

Outro aspecto a ser considerado com as mudanças tecnológicas, é a eliminação de postos de trabalho, causando uma dupla conseqüência. Primeiro, o aumento do desemprego e segundo, maior acumulação de riqueza para os patrões. Um fenômeno também é gerado com essa situação, e que parece não ser percebido, ou seja, quanto maior o número de desempregados, menor o número de pessoas para consumir os produtos. O trabalhador desempregado deixa de ser um cliente.

Na verdade, não é que esse fenômeno passa desapercebido, mais faz parte da lógica de mercado. O mercado vai construindo um exército de reserva com os desempregados, o pouco número de vagas e a grande quantidade de desempregados, gera maior disputa entre os mesmos e uma situação confortável para os patrões, que empregam mão-de-obra cada vez mais baratas.

Essa lógica desenvolvida pelo capitalismo aumenta cada vez mais a pobreza e a exclusão, gerando para a Economia Solidária a responsabilidade de atender esse público, já que têm a solidariedade, como sua principal missão.

A ECONOMIA SOLIDÁRIA COMO ALTERNATIVA

A Economia Solidária oferece alternativas de criar empreendimentos de produção e de serviços autogetionários, ou seja, os trabalhadores atuando sem patrão, visando cobrir suas próprias necessidades e as de seus companheiros de classe, com a responsabilidade sobre o cuidado com a qualidade do meio ambiente, do crescimento pessoal e de igualdade de oportunidades. Essa nova ferramenta, além de inserir mudanças na organização do trabalho deve, obrigatoriamente, gerar diminuição dos custos e dos preços a favor dos excluídos do capitalismo. A mais-valia, nesse processo, é substituída por uma retirada possibilitando aos trabalhadores uma vida mais digna, com direitos enquanto cidadãos e ainda, propiciando o acesso aos produtos, por consumidores em situação mais vulnerável.

Porém, para o fortalecimento da Economia Solidária, deveria a cada dia, ter mais consumidores para os produtos gerados por empreendimentos populares, no entanto, a propaganda capitalista que estimula o consumo desenfreado de produtos feitos por grandes industrias, impede a ampliação e a potencialização desse mercado alternativo, que visa, sem dúvida, um consumo ético e solidário. Considerando esses aspectos, podemos afirmar que há uma grande batalha a ser enfrentada, já que, os produtos gerados em por empreendimentos solidários, ainda não são mais baratos que os produzidos por grandes industrias .

Para que esses produtos possam ter seus custos diminuídos, e consequentemente seus preços, um aspecto é fundamental, a intervenção do governo, através de investimentos em tecnologia social, ou seja, o desenvolvimento de pesquisas que visem elaborar metodologias com tecnologia e qualidade para a produção, com baixos preços e com capacidade de competir no mercado. Essas pesquisas com certeza, deveriam ser assumidas e desenvolvidas pelas universidades públicas, que através de seu acumulo de conhecimento, devem contribuir para a melhora das condições de vida do trabalhador.


Neste cenário, poderíamos indagar: a introdução de tecnologia na Economia Solidária não geraria desemprego, já que, ela não elimina a lógica perversa do capitalismo?. Não, se estabelecermos a seguinte lógica: os ganhos adquiridos com a introdução tecnológica, geraria o desenvolvimento de novas atividades para as pessoas que seriam substituídas, ou seja, neste sentido, a tecnologia seria uma aliada do trabalhador.


OS TRÊS PILARES PARA A SUSTENTABILIDADE DESSE PROCESSO

Para que o processo mencionado seja bem sucedido e para que o trabalhador tenha a mobilidade desejada, há a necessidade de implementação de uma política contínua de elevação de escolaridade, visando o desenvolvimento de habilidades para a compreensão e re-elaboração de novos conhecimentos, possibilitando sua aplicabilidade em quaisquer área de trabalho.

A qualificação técnico profissional do trabalhador, resulta no segundo elemento fundamental para que a Economia Solidária possa ser ampliada como um mercado alternativo, pois, ela permitirá que o trabalho seja aprimorado nas diferentes áreas do processo produtivo. Assim, consideramos esses dois elementos vinculados a educação: Elevação da escolaridade e qualificação técnico profissional, como essenciais para o sucesso da proposta supramencionada. Lutar por esses direitos, significa a mudança do rumo do país, com um caráter revolucionário e urgente.

O terceiro elemento, a nosso entender, esta relacionado ao tamanho dos empreendimentos, ou seja, ressaltamos acima que a Economia Solidária não rompe com a lógica de mercado capitalista, assim, da mesma maneira que as empresas de grande porte têm mais poder que as empresas menores e muitas vezes as primeiras derrubam as outras, por uma razão da relação poder X fragilidade, para a Economia Solidária, isso também é válido, quando trata-se do tamanho e situação dos empreendimentos.

Obviamente que não estamos falando de uma acumulação de capital para a construção de grandes empresas, e sim, estamos apontado a necessidade do desenvolvimento de cadeias produtivas e redes de produção e consumo , que estabelecerão uma relação em prol dos interesses desse mercado alternativo, de acordo com as características já atribuídas anteriormente.

A CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO

Se refletirmos sobre tudo o que foi mencionado, que a Economia Solidária leva à uma distribuição mais justa da riqueza, podemos acreditar que estamos diante de um "modelo sonhado", mas não é assim, se lembrarmos que o capitalismo e seus serventes/beneficiados não descansam e não dão trégua.

É só observarmos quais os interesses que representam a maior parte dos políticos que teriam poder para mudar as leis e alavancar a emancipação das classes oprimidas, para percebermos que enquanto o capitalismo não ser erradicado definitivamente, e não houver a substituição pelo "poder dos trabalhadores", não haverá sossego e não será possível a construção de bases sólidas para um modelo de justiça social.

Para a eliminação da espiral contínua da exclusão social, para pararmos de apagar o fogo como bombeiro, para semearmos o Brasil do futuro, é necessário continuarmos permanentemente a construção da ferramenta Economia Solidária, sem pararmos, nem apenas um minuto de lutar rumo ao caminho do socialismo.


Carlos Trinidad é educador


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