Precisamos lutar contra acidentes e doenças no trabalho
Um dos grandes desafios que os sindicatos papeleiros
enfrentam é o elevado número de
acidentes de trabalho no setor. Cada um de nós,
que vive a dura realidade do chão da fábrica,
já presenciou ou conheceu algum companheiro
que foi vítima de acidente de trabalho.
Muitos desses companheiros deixaram na fábrica
não somente a saúde ou a integridade
física, mas também a própria
vida.
Com a grande modernização do setor,
ocorrida principalmente a partir da década
de 90, alguns tinham a ilusão de que os
trabalhadores viveriam uma nova fase no ambiente
de trabalho, com maior segurança, fim dos
ambientes insalubres e periculosos, etc.
Só que a dinâmica do capitalismo
funciona diferente. O setor modernizou-se e preparou-se
para enfrentar a competição internacional,
novas e potentes máquinas foram introduzidas
nas fábricas, tudo foi informatizado. Porém,
no bojo dessa modernização, vieram
também novas e sofisticadas, mas igualmente
perversas formas de exploração da
classe trabalhadora. Com o nome de reestruturação
produtiva, multifunção, polivalência,
os trabalhadores viram reduzir-se bruscamente
o quadro de funcionários, os salários
eram arrochados, enquanto cresciam as exigências
de produtividade, competência profissional
e dinamismo.
Pouca gente trabalhando, muita gente desempregada,
por conseqüência, a pressão
no ambiente de trabalho aumentou. Ao mesmo tempo,
testemunhamos o avanço da terceirização,
com vários setores das empresas passando
a cargo de terceiras. E os trabalhadores, mais
uma vez, tiveram direitos e conquistas sociais
rebaixados.
Selvageria e acidentes
Nesse ambiente - marcado pela selvageria do capital
- é obvio que cresceram os problemas de
saúde e segurança dos trabalhadores.
Tensão, insegurança, estresse, pressão
de chefias, temor pela perda do emprego são
elementos desencadeadores do aumento de acidentes
e de doenças profissionais.
Esse quadro, entretanto, não ocorre apenas
em nosso setor. Em 2006, 1.339 trabalhadores morreram
em decorrência de acidentes de trabalho,
segundo dados da Relação Anual de
Informações Sociais (Rais). Outros
310 trabalhadores faleceram durante o trajeto
trabalho-residência, 1.636 se aposentaram
por invalidez decorrente de acidentes no trabalho
e 3.786 por doenças profissionais.
Apesar dos números apresentados pela Rais,
o Anuário Estatístico de Acidentes
de Trabalho - feito pela Previdência Social
- contabiliza 2.717 mortes por acidentes de trabalho
em 2006.
Independente das estatísticas, esse número
é altíssimo e inaceitável.
O trabalho foi feito para promover e libertar
o homem, fazer com que ele exerça seu papel
criador e transformador da natureza. Infelizmente,
no processo massacrante imposto pela gana do capital
no Brasil, o trabalho mata, aleija e mutila muita
gente.
Nós, do movimento sindical, precisamos
unir todos os esforços para mudar essa
situação. Chega de doenças
no trabalho, chega de trabalhadores mutilados,
chega de mortes!
Francisco Pereira da Silva (Piricó)
- Dirigente Sindicato
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