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  Francisco Pereira da Silva (Piricó)

Precisamos lutar contra acidentes e doenças no trabalho


Um dos grandes desafios que os sindicatos papeleiros enfrentam é o elevado número de acidentes de trabalho no setor. Cada um de nós, que vive a dura realidade do chão da fábrica, já presenciou ou conheceu algum companheiro que foi vítima de acidente de trabalho. Muitos desses companheiros deixaram na fábrica não somente a saúde ou a integridade física, mas também a própria vida.

Com a grande modernização do setor, ocorrida principalmente a partir da década de 90, alguns tinham a ilusão de que os trabalhadores viveriam uma nova fase no ambiente de trabalho, com maior segurança, fim dos ambientes insalubres e periculosos, etc.

Só que a dinâmica do capitalismo funciona diferente. O setor modernizou-se e preparou-se para enfrentar a competição internacional, novas e potentes máquinas foram introduzidas nas fábricas, tudo foi informatizado. Porém, no bojo dessa modernização, vieram também novas e sofisticadas, mas igualmente perversas formas de exploração da classe trabalhadora. Com o nome de reestruturação produtiva, multifunção, polivalência, os trabalhadores viram reduzir-se bruscamente o quadro de funcionários, os salários eram arrochados, enquanto cresciam as exigências de produtividade, competência profissional e dinamismo.

Pouca gente trabalhando, muita gente desempregada, por conseqüência, a pressão no ambiente de trabalho aumentou. Ao mesmo tempo, testemunhamos o avanço da terceirização, com vários setores das empresas passando a cargo de terceiras. E os trabalhadores, mais uma vez, tiveram direitos e conquistas sociais rebaixados.

Selvageria e acidentes

Nesse ambiente - marcado pela selvageria do capital - é obvio que cresceram os problemas de saúde e segurança dos trabalhadores. Tensão, insegurança, estresse, pressão de chefias, temor pela perda do emprego são elementos desencadeadores do aumento de acidentes e de doenças profissionais.

Esse quadro, entretanto, não ocorre apenas em nosso setor. Em 2006, 1.339 trabalhadores morreram em decorrência de acidentes de trabalho, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Outros 310 trabalhadores faleceram durante o trajeto trabalho-residência, 1.636 se aposentaram por invalidez decorrente de acidentes no trabalho e 3.786 por doenças profissionais.

Apesar dos números apresentados pela Rais, o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho - feito pela Previdência Social - contabiliza 2.717 mortes por acidentes de trabalho em 2006.
Independente das estatísticas, esse número é altíssimo e inaceitável. O trabalho foi feito para promover e libertar o homem, fazer com que ele exerça seu papel criador e transformador da natureza. Infelizmente, no processo massacrante imposto pela gana do capital no Brasil, o trabalho mata, aleija e mutila muita gente.

Nós, do movimento sindical, precisamos unir todos os esforços para mudar essa situação. Chega de doenças no trabalho, chega de trabalhadores mutilados, chega de mortes!

Francisco Pereira da Silva (Piricó) - Dirigente Sindicato


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