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  Mariano Crateus

ATÉ QUANDO?

O dicionário Aurélio traz como definição para acidente como um “Acontecimento casual, fortuito, imprevisto”, ou seja, uma fatalidade, uma obra do acaso impossível de ser prevista ou evitada, mas diante dos últimos acontecimentos dentro das indústrias papeleiras, será que ainda podemos chamar de acidente o que tem ocorrido com nossos companheiros?

Nos últimos dois anos temos assistido uma série de “acontecimentos” dentro das fábricas que tem mutilado e matado cada vez mais trabalhadores, acidentes que poderiam ter sido evitados, mas que a ganância patronal permitiu que acontecessem.

São máquinas impróprias para o uso, que continuam a rodar dentro das fábricas sem manutenção alguma; técnicas absurdas que aumentam o risco no trabalho; redução de postos de trabalho, o que leva os trabalhadores a desenvolverem várias funções em sistema totalmente falho que atenta contra a vida de todos.

Basta observar o balanço das empresas para perceber que aliada à redução de postos de trabalho, está o aumento da produtividade por funcionário, juntamente com esses números podemos ver que cresce também o número de acidentes, mas o lucro continua cada vez maior.

Mesmo diante desse quadro as empresas ainda tentam responsabilizar o trabalhador pelo acidente, como se o trabalhador se acidentasse de propósito. E usam o mesmo discurso empregado pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, quando diziam “para mostrar nossa boa vontade...” e tentam comprar o silêncio dos trabalhadores “oferecendo todo o apoio que a família precisar”.

Esse “apoio” é obrigação do empregador que tem os seguros para garanti-los. O maior apoio que uma família precisa é seu parente vivo e bem.

E até quando nós vamos nos permitir tudo isso? Sim, companheiros, nós estamos nos permitindo quando aceitamos cumprir tarefas de risco, quando utilizamos equipamentos que por experiência sabemos que estão com problemas, quando estamos cansados de tantas horas-extras e mesmo assim continuamos a aceitar as imposições patronais.

Use a sua força, denuncie, chame imediatamente o seu Sindicato ou a CIPA para mostrar as suas condições de trabalho. Sindicato e CIPA fortes são construídos com a união e mobilização de todos os trabalhadores.

Se a empresa não valoriza sua vida, pode ter certeza que ela é imprescindível para seus filhos, sua família e amigos. Valorize-se! Não aceite tarefas que ponham sua vida em risco e alerte seus companheiros.


Mariano Crateus
Presidente do Sindicato Local do Maranhão

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