ATÉ
QUANDO? O dicionário Aurélio traz como definição
para acidente como um Acontecimento casual, fortuito, imprevisto,
ou seja, uma fatalidade, uma obra do acaso impossível de ser prevista ou
evitada, mas diante dos últimos acontecimentos dentro das indústrias
papeleiras, será que ainda podemos chamar de acidente o que tem ocorrido
com nossos companheiros? Nos últimos dois anos temos assistido
uma série de acontecimentos dentro das fábricas que
tem mutilado e matado cada vez mais trabalhadores, acidentes que poderiam ter
sido evitados, mas que a ganância patronal permitiu que acontecessem.
São máquinas impróprias para o uso, que continuam
a rodar dentro das fábricas sem manutenção alguma; técnicas
absurdas que aumentam o risco no trabalho; redução de postos de
trabalho, o que leva os trabalhadores a desenvolverem várias funções
em sistema totalmente falho que atenta contra a vida de todos. Basta
observar o balanço das empresas para perceber que aliada à redução
de postos de trabalho, está o aumento da produtividade por funcionário,
juntamente com esses números podemos ver que cresce também o número
de acidentes, mas o lucro continua cada vez maior. Mesmo diante
desse quadro as empresas ainda tentam responsabilizar o trabalhador pelo acidente,
como se o trabalhador se acidentasse de propósito. E usam o mesmo discurso
empregado pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, quando diziam para
mostrar nossa boa vontade... e tentam comprar o silêncio dos trabalhadores
oferecendo todo o apoio que a família precisar. Esse
apoio é obrigação do empregador que tem os seguros
para garanti-los. O maior apoio que uma família precisa é seu parente
vivo e bem. E até quando nós vamos nos permitir tudo
isso? Sim, companheiros, nós estamos nos permitindo quando aceitamos cumprir
tarefas de risco, quando utilizamos equipamentos que por experiência sabemos
que estão com problemas, quando estamos cansados de tantas horas-extras
e mesmo assim continuamos a aceitar as imposições patronais.
Use a sua força, denuncie, chame imediatamente o seu Sindicato ou
a CIPA para mostrar as suas condições de trabalho. Sindicato e CIPA
fortes são construídos com a união e mobilização
de todos os trabalhadores. Se a empresa não valoriza sua
vida, pode ter certeza que ela é imprescindível para seus filhos,
sua família e amigos. Valorize-se! Não aceite tarefas que ponham
sua vida em risco e alerte seus companheiros. Mariano Crateus Presidente
do Sindicato Local do Maranhão |