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  Claudecir Lopes Vargas (Kako)

Sinap na luta sob o signo da unidade



O Sindicato Nacional dos Papeleiros passou por alterações no seu quadro de direção, em virtude do licenciamento de alguns companheiros que disputam cargos de prefeito ou vereador nas eleições deste ano.
Nessa mudança de cadeiras, tive a honra de assumir o desafio de ser o presidente da entidade, cargo que ocupo desde o início do segundo semestre.
Tomei posse, quando boa parte da categoria já está em campanha salarial. Cabe a nós, como atuais comandantes de uma entidade de porte nacional, como o Sinap, darmos apoio e auxílio aos sindicatos locais, tendo como perspectiva garantir avanços sociais e econômicos para a categoria papeleira.
Nossa luta é também, dentro desse processo de campanhas salariais, estreitar os laços de solidariedade entre os diversos sindicatos para que possamos assim democratizar, em território nacional, os direitos e conquistas sociais, ainda marcados por muitas diferenças de região para região.
As empresas do setor papeleiro vivem um momento econômico privilegiado há anos seguidos. Mesmo nos tempos em que nossa economia andava cambaleante, o setor já era visto como uma ilha de crescimento e prosperidade.
Agora, depois de anos seguidos de crescimento econômico, essa tendência acentuou-se e praticamente consolidou-se, sem que haja prognóstico de maiores tropeços nos próximos anos. Aproveitando essa boa maré, as empresas preparam grandes investimentos, divididos em curto, médio e longo prazo.
O setor vai bem, sim senhor. O mesmo não se pode falar daqueles que trabalham no setor.

Onda radical

No começo dos anos 90, testemunhamos uma onda radical de mudanças estruturais nas empresas, com a implantação de novos maquinários e modernização tecnológica, isso veio acompanhado pelo fechamento ou mesmo transferência de locais de muitas unidades produtivas, em busca de isenções fiscais e mão-de-obra mais barata.
A relação entre os trabalhadores e as empresas também muda nesse período.
Passa-se a exigir maior qualificação profissional e domínio das tecnologias. Há também redução de quadros, setores são "enxugados", sendo o trabalhador obrigado a executar multifunções, sob pena de perder o emprego. Para que as mudanças fossem realizadas, aumentou a pressão das chefias e supervisores e o controle no ambiente de trabalho, imperando o lema de vigiar e punir, antes de tudo.

O avanço feroz da terceirização ocorre também a partir desse período, com a conseqüente redução de salários e direitos econômicos e sociais dos funcionários.
As empresas crescem, lucram com a máxima exploração do trabalho. Os salários, as conquistas e direitos sociais tornam-se alvos de cerrados ataques dos patrões.
Junto a isso, há ainda um verdadeiro massacre ideológico na sociedade, perpetrado pelos grandes meios de comunicação. Todo aquele que vai contra a corrente do pensamento único, é marcado como defensor do atraso, do antigo, incompatível com o então chamado "tempos modernos da globalização". Na verdade, o neoliberalismo foi uma roupagem nova com que se vestiu a política conservadora, para dar um novo fôlego ao sistema capitalista, mergulhado em suas crises cíclicas e estruturais.

As entidades sindicais viraram alvo de uma cerrada campanha. Dizia-se que os sindicatos eram corporativos, estavam presos a parâmetros que tornavam as empresas ineficientes, defendiam privilégios. Tudo feito com um só objetivo: explorar a força de trabalho e lucrar mais.

Os salários ficaram estacionados ou perderam o poder de compra. Direitos históricos foram "garfados". Felizmente, boa parte de nossa categoria resistiu. Em resposta ao discurso da globalização da injustiça, passamos a exigir a globalização de direitos.

Foram tempos difíceis . O ímpeto dessa onda conservadora enfraqueceu. O projeto político e econômico da direita no Brasil e no mundo mostrou sua verdadeira face e hoje não ilude ninguém. Agora, nossa luta é para que, no quadro de crescimento econômico, que só tem privilegiado uma minoria, possamos colher a nossa parte. É hora de exigirmos justiça e distribuição de renda. Não dá mais para aceitar que só os patrões lucrem, enquanto nós amargamos perdas.

O Sinap surgiu como uma resposta a esse estado de coisas, fortalecendo a unidade e a solidariedade entre a categoria papeleira.

É sob o signo da unidade que estamos na luta.Os desafios são grandes. Maior do que eles é a força do trabalhador organizado. Como presidente do Sinap, estou junto com os papeleiros e papeleira, travando o bom combate.

Tenho certeza de que, ao final, sairemos vitoriosos.

Claudecir Lopes Vargas (Kako)
Presidente do Sindicato Nacional dos Papeleiros


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