Sinap na luta sob o signo da unidade
O Sindicato Nacional dos Papeleiros passou por
alterações no seu quadro de direção,
em virtude do licenciamento de alguns companheiros
que disputam cargos de prefeito ou vereador nas
eleições deste ano.
Nessa mudança de cadeiras, tive a honra
de assumir o desafio de ser o presidente da entidade,
cargo que ocupo desde o início do segundo
semestre.
Tomei posse, quando boa parte da categoria já
está em campanha salarial. Cabe a nós,
como atuais comandantes de uma entidade de porte
nacional, como o Sinap, darmos apoio e auxílio
aos sindicatos locais, tendo como perspectiva
garantir avanços sociais e econômicos
para a categoria papeleira.
Nossa luta é também, dentro desse
processo de campanhas salariais, estreitar os
laços de solidariedade entre os diversos
sindicatos para que possamos assim democratizar,
em território nacional, os direitos e conquistas
sociais, ainda marcados por muitas diferenças
de região para região.
As empresas do setor papeleiro vivem um momento
econômico privilegiado há anos seguidos.
Mesmo nos tempos em que nossa economia andava
cambaleante, o setor já era visto como
uma ilha de crescimento e prosperidade.
Agora, depois de anos seguidos de crescimento
econômico, essa tendência acentuou-se
e praticamente consolidou-se, sem que haja prognóstico
de maiores tropeços nos próximos
anos. Aproveitando essa boa maré, as empresas
preparam grandes investimentos, divididos em curto,
médio e longo prazo.
O setor vai bem, sim senhor. O mesmo não
se pode falar daqueles que trabalham no setor.
Onda radical
No começo dos anos 90, testemunhamos uma
onda radical de mudanças estruturais nas
empresas, com a implantação de novos
maquinários e modernização
tecnológica, isso veio acompanhado pelo
fechamento ou mesmo transferência de locais
de muitas unidades produtivas, em busca de isenções
fiscais e mão-de-obra mais barata.
A relação entre os trabalhadores
e as empresas também muda nesse período.
Passa-se a exigir maior qualificação
profissional e domínio das tecnologias.
Há também redução
de quadros, setores são "enxugados",
sendo o trabalhador obrigado a executar multifunções,
sob pena de perder o emprego. Para que as mudanças
fossem realizadas, aumentou a pressão das
chefias e supervisores e o controle no ambiente
de trabalho, imperando o lema de vigiar e punir,
antes de tudo.
O avanço feroz da terceirização
ocorre também a partir desse período,
com a conseqüente redução de
salários e direitos econômicos e
sociais dos funcionários.
As empresas crescem, lucram com a máxima
exploração do trabalho. Os salários,
as conquistas e direitos sociais tornam-se alvos
de cerrados ataques dos patrões.
Junto a isso, há ainda um verdadeiro massacre
ideológico na sociedade, perpetrado pelos
grandes meios de comunicação. Todo
aquele que vai contra a corrente do pensamento
único, é marcado como defensor do
atraso, do antigo, incompatível com o então
chamado "tempos modernos da globalização".
Na verdade, o neoliberalismo foi uma roupagem
nova com que se vestiu a política conservadora,
para dar um novo fôlego ao sistema capitalista,
mergulhado em suas crises cíclicas e estruturais.
As entidades sindicais viraram alvo de uma cerrada
campanha. Dizia-se que os sindicatos eram corporativos,
estavam presos a parâmetros que tornavam
as empresas ineficientes, defendiam privilégios.
Tudo feito com um só objetivo: explorar
a força de trabalho e lucrar mais.
Os salários ficaram estacionados ou perderam
o poder de compra. Direitos históricos
foram "garfados". Felizmente, boa parte
de nossa categoria resistiu. Em resposta ao discurso
da globalização da injustiça,
passamos a exigir a globalização
de direitos.
Foram tempos difíceis . O ímpeto
dessa onda conservadora enfraqueceu. O projeto
político e econômico da direita no
Brasil e no mundo mostrou sua verdadeira face
e hoje não ilude ninguém. Agora,
nossa luta é para que, no quadro de crescimento
econômico, que só tem privilegiado
uma minoria, possamos colher a nossa parte. É
hora de exigirmos justiça e distribuição
de renda. Não dá mais para aceitar
que só os patrões lucrem, enquanto
nós amargamos perdas.
O Sinap surgiu como uma resposta a esse estado
de coisas, fortalecendo a unidade e a solidariedade
entre a categoria papeleira.
É sob o signo da unidade que estamos na
luta.Os desafios são grandes. Maior do
que eles é a força do trabalhador
organizado. Como presidente do Sinap, estou junto
com os papeleiros e papeleira, travando o bom
combate.
Tenho certeza de que, ao final, sairemos vitoriosos.
Claudecir Lopes Vargas (Kako)
Presidente do Sindicato Nacional dos Papeleiros
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