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  Iduigues Ferreira Martins


Sinap chama os sindicatos papeleiros para resistir às demissões e tentativas de redução de direitos

O presidente do Sinap, Iduigues Martins, analisa no artigo abaixo a crise financeira e o setor de papel e celulose, detendo-se principalmente nas demissões iniciadas que, segundo ele, são uma tentativa de inibir as mobilizações e preservar os altos lucros das empresas.

Papeleiros não aceitam pagar pela crise econômica
Resistir à política de demissões e retirada de direitos


Uma onda de demissões vem atingindo os trabalhadores do Setor de Papel e Celulose. As dispensas começaram agora em 2009, demonstrando uma tendência que está se radicalizando.
Os patrões aproveitam-se da crise financeira, de forma oportunista, para demitir, criar um clima de medo, insegurança e assim deixar o terreno preparado para ataques cerrados a direitos e conquistas sociais.
A Suzano Papel e Celulose dispensou 66 trabalhadores na unidade de Mucuri, na Bahia. As unidades da empresa na cidade de Suzano (SP) seguiram o mesmo exemplo e dispensaram cinqüenta trabalhadores.
Há ainda ameaça de demissões nas demais empresas do setor, como a Votorantim, Klabin e outras empresas menores. Junto com isso, vêm também as ameaças de retirada de direitos e conquistas sociais dos trabalhadores, como foi o recente caso da empresa Multiverde, em Mogi das Cruzes, que só recuou, depois de uma greve total dos seus cerca de 200 funcionários (as).
Diante dessa situação, nós, trabalhadores e trabalhadoras, e toda a sociedade brasileira precisamos nos mobilizar e dizer não à política de demissões.

O quadro econômico

O Setor de Papel e Celulose acumula lucros espetaculares há anos seguidos. O preço da celulose, por exemplo, teve uma valorização espetacular nos últimos anos, num ciclo de ascensão só interrompido no final de 2008. . Empresas como a Suzano Papel e Celulose, por exemplo, tiveram um crescimento do valor de mercado de praticamente R$ 1 bilhão por ano. O grupo mantém a expectativa de pular a produção de celulose dos atuais 3 milhões para 7,2 milhões de toneladas em 2015.
As demais empresas também cresceram muito, modernizaram-se, aumentaram a produtividade, acumularam riquezas, ampliaram os investimentos e construíram novas plantas.
Nesse período, em que tudo ia de vento em popa, os trabalhadores sequer conseguiram recuperar perdas salariais e direitos sociais conquistados na década de 80 e perdidos na década de 90.
Agora, diante do primeiro sinal de crise, as empresas tentam jogar o ônus dessa crise nas costas do trabalhador, numa ação que envolve má fé e oportunismo. Afinal, a crise tornou-se mais um pretexto para que os empresários voltem a ventilar idéias como a flexibilização da jornada de trabalho, redução de salários, precarização de direitos e a retirada de conquistas sociais.

Injustiça social

Isso é inaceitável! O Brasil, apesar da grande melhoria social que está tendo no governo do presidente Lula, ainda é um dos países mais injustos socialmente no mundo e um dos campões na pior distribuição de renda.
Na época dos lucros, os empresários sequer cogitavam em distribuir riquezas. Agora, com as primeiras dificuldades no horizonte, querem jogar o peso da crise nas costas dos trabalhadores.
Além disso, analistas econômicos prevêem que o setor de papel e celulose deverá recuperar-se já no segundo trimestre de 2009 das eventuais quedas de faturamento e o preço da celulose no mercado internacional em breve voltará a subir. Ou seja, por mais dificuldades que possam existir, elas são momentâneas, pelo menos para o setor, setor que poderia usar uma parte dos lucros obtidos nas épocas de crescimento e grandes vendas para manter os postos de trabalho, uma vez que os salários dos trabalhadores pesam menos que 10% no lucro líquido das empresas.
Logo, por todos esses anos de crescimento, conquistados com o apoio e o capital do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES), financiando esses investimentos, devemos exigir que os patrões entrem com uma cota mínima de sacrifício e mantenham a oferta de emprego e as condições econômicas e sociais dos trabalhadores.
Afinal, boa parte dos investimentos foi feito com dinheiro da sociedade brasileira, através do BNDES, a juros baixíssimos, com muitas facilidades e generosos incentivos fiscais.

Falta de transparência

As empresas alegam que estão em dificuldades financeiras e amargando prejuízos econômicos. Porém, quando nós pedimos que abram a contabilidade e coloquem esses dados de forma transparente, elas fogem disso como o diabo foge da cruz.
Se as empresas do setor realmente abrissem a contabilidade, nós provaríamos que todo esse discurso é falso e mentiroso e que está sendo usado apenas para preservar os lucros e os dividendos dos acionistas, sem qualquer preocupação com o caos social que estão provocando, através de uma política irresponsável , que em nada contribui para a construção de um novo país.
De nossa parte, estamos organizando os trabalhadores e trabalhadoras em todo o Brasil, através de ações do Sindicato Nacional dos Papeleiros (Sinap), em conjunto com os diversos sindicatos locais.
Vamos preparar nossa resistência, paralisar atividades, realizar protestos e diferentes formas de luta, tanto localizadas, como integradas nacionalmente, para mostrar aos patrões que não queremos e não aceitaremos pagar a conta dessa crise.


Iduigues Martins
Presidente do Sindicato Nacional dos Papeleiros (Sinap)


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