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  Elisangela Caíres

As mulheres para conquistar direitos, precisam se organizar.

A luta das mulheres brasileiras pela conquista de direitos civis e políticos teve importantes avanços nos últimos anos. Esses avanços, entretanto, não foram dados de bandeja, mas conquistados através da organização das mulheres, com o objetivo de garantir a criação de leis, destinadas a acabar com desigualdades entre homens e mulheres, tanto no espaço público quanto privado.

Trata-se de uma luta antiga, quando as mulheres reivindicavam direito de voto, as operárias da nascente indústria brasileira no começo do século XX juntavam-se aos homens, por melhores salários, condições de trabalho, respeito, etc.
A Constituição de 1988 ampliou a proteção dos direitos políticos e estabeleceu a igualdade entre os gêneros como direito fundamental.

Nossa luta tem sido de tirar a lei do papel e faze-la valer na prática, em todos os cantos e recantos desse imenso Brasil. Seja na fábrica, ou no mais distante acampamento de sem terra, seja no lar, ou no mundo dos negócios. Ainda hoje, ainda há uma forte visão discriminatória contra a mulher na sociedade brasileira, o que se reflete também no ambiente de trabalho e no próprio movimento sindical. Isso ainda se torna mais preocupante numa categoria como a papeleira, que hoje a mão-de-obra é predominantemente masculina, ficando as mulheres apenas com os empregos menos valorizados e pior remunerados.

Diante disso, é muito importante a existência no Sinap de uma Secretaria de Gênero, com a função maior de implantar políticas específicas para a mulher trabalhadora papeleira.
Essas políticas precisam ter, entre seus objetivos principais, o de garantir uma maior participação das mulheres nas atividades dos sindicatos, o reconhecimento dos companheiros de que o sindicato é um instrumento de luta de homens e mulheres, além de assegurar também uma maior participação das mulheres nas direções das entidades sindicais.

Esse é um ponto inicial para que possamos, a partir daí, organizar e assegurar espaço de discussão nas campanhas salariais de reivindicações especificamente femininas. Afinal, a mulher ainda sofre discriminação no ambiente de trabalho; é preterida em promoções para cargos de maior importância, mesmo tendo as melhores qualificações; recebe salários inferiores ao dos homens, embora exerça a mesma função.
Além de tudo isso, as mulheres exercem dupla jornada de trabalho. Numa casa são normalmente as primeiras a se levantar e as últimas a se deitar, trabalhando e vendo esse trabalho não ser reconhecido.

Para mudar isso, as companheiras precisam participar e se organizar. A Secretaria de Gênero do Sinap é um desses espaços conquistados. Há outros espaços, alguns já conquistados, outros que iremos conquistar.

Elisangela Caíres

Secretaria de Gênero do Sinap


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