Campanha 5ª turma o ano inteiro:
como calcular
SUMÁRIO:
- CONJUNTURA INTERNACIONAL
- CONJUNTURA NACIONAL
- CONJUNTURA SETORIAL
- BALANÇO DO MANDATO GESTÃO
2002/2005
- QUESTÕES DE GÊNERO
- EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO
DO SINAP
CONJUNTURA INTERNACIONAL
A situação política e econômica
nos âmbitos Internacional e Nacional são
de grande importância para o nosso Congresso,
é através da análise dos
fatos que podemos perceber o ambiente em que o
nosso movimento desenvolverá suas lutas
e quais são as características predominantes
para definirmos a nossa estratégia.
O cenário internacional está especialmente
marcado pela política neoliberal desenvolvida
pelos países ricos, tendo os Estados Unidos
um papel determinante neste processo, prejudicando
os países pobres, em especial, os países
latino-americanos.
Em se reconhecendo que os EUA tem cumprido esse
papel, vale a pena observar a sua atuação
no contexto mundial.
Anteriormente as intervenções
e agressões eram "justificadas"
pelo confronto com os países do bloco socialista.
A partir do século 20, no entanto, para
manter a lógica maniqueísta do suposto
"bem contra o mal" o governo norte-americano
volta sua artilharia para questões religiosas,
armamentistas e geográficas, em especial
contra o Oriente Médio, que não
por acaso são os detentores das grandes
reservas de petróleo.
A pretexto de combater o "terrorismo"
e se colocando no papel de guardião mundial
da democracia, George W. Bush busca ampliar a
hegemonia do império que dirige, para isso
ampliou a presença do imperialismo norte-americano
através da guerra e das intervenções
nos países. Usou a guerra no Iraque e no
Afeganistão para assegurar o controle de
importantes recursos naturais, como o petróleo,
e ampliar a presença de tropas norte-americanas
em uma região considerada estratégica,
ao custo de milhares de vidas.
Após sua reeleição, Bush
ameaçou outros países como o Irã,
a Coréia do Norte e Cuba com a mesma política.
Para a América Latina, insiste na implantação
da ALCA (Área de Livre Comércio
das Américas), visando aumentar a dependência
das economias latino-americanas aos Estados Unidos.
Essa proposta só não se realizou
ainda em especial devido a luta dos movimentos
e a ação de governos como o de Lula,
Chávez e Kirchner, que procuram construir
uma alternativa ao poderio norte-americano. O
próprio Governo brasileiro vem buscando
construir um bloco junto a países da África,
Ásia e da América Latina.
Apesar do governo Bush e os EUA tentarem vender
ao mundo a visão da sua supremacia em especial
no aspecto tecnológico e militar, tem ficado
claro a sua omissão deliberada no socorro
e atendimento aos atingidos pela tragédia
que se abateu sobre Nova Orleans, região
predominantemente formada por negros e pobres,
e a barbárie que se instalou após
este episódio.
Em nome de interesses escusos, o governo Bush
respaldou o movimento golpista e fascista que
tentou derrubar Hugo Chavez, evidenciando sua
total falta de escrúpulos contra a democracia
e respeito a soberania do povo deste país,
esta ofensiva se dá pelo fato deste país
ser outro grande produtor e fornecedor de petróleo.
Na Colômbia, sob o pretexto de combater
o narcotráfico, o governo norte-americano
pratica a mais absurda intervenção.
O exercito de Bush, ao lado da direita colombiana,
promove as mais bárbaras atrocidades contra
as populações indígenas,
torturando e matando inocentes.
Os EUA afrontam também o povo cubano,
com o embargo econômico que perdura mais
de 40 anos, tentando de todas as formas desmoralizar
e derrotar seus ideais e as conquistas obtidas
ao longo dos anos.
É importante ressaltar que a guerra e a
ALCA não visam a democracia e o desenvolvimento,
pelo contrario, atentam contra a possibilidade
de construção de caminhos alternativos
ao neoliberalismo.
É preciso, portanto, que os movimentos
sindical e social ampliem as lutas de resistência
ao imperialismo, como já vem sendo feito
através do Fórum Social Mundial
e das manifestações pela paz.
Suas guerras insanas e intervenção
na política interna de vários países,
sempre com o propósito de sobrepor os interesses
norte-americanos, em especial com a não
assinatura do protocolo de Kioto, negando-se a
reduzir o volume de poluentes emitidos na atmosfera,
acarretando o aumento do aquecimento global e
gerando o desequilíbrio da natureza e colocando
o mundo em risco.
O governo brasileiro e o quadro internacional
As iniciativas do Governo Lula no campo internacional
revelam um projeto de inserção do
país como importante líder regional.
O pleito de uma vaga para o Brasil no Conselho
de Segurança da ONU; o envio de tropas
brasileiras ao Haiti ao lado da assistência
às vitimas do Tsunami na Ásia; o
desejo manifestado de integrar o G8; as ações
visando à construção de uma
"Comunidade Sul Americana" - são
passos importantes nesta direção.
Estas iniciativas de ampliação
do comércio internacional, ao lado do acentuado
crescimento da própria economia mundial,
resultaram em aumento do volume das vendas externas.
A política fiscal expansionista dos EUA
e o forte crescimento da China (9,5% ao ano) foram
elementos decisivos no aumento do comércio
internacional. A participação da
China nas exportações brasileiras,
por exemplo, cresceu de 1,9% em 2000, para 6,2%
em 2004.
Entretanto, a desvalorização do
dólar, as possíveis medidas de contenção
do déficit norte-americano e a eventual
desaceleração da economia chinesa
podem colocar em risco este quadro externo favorável
ou reduzir as taxas de crescimento verificadas
no ano de 2004 e meados de 2005.
Convém agregar outros elementos ao atual
cenário internacional. As negociações
na Organização Mundial de Comércio
(OMC) estão ainda emperradas, apesar do
recente sinal dado pelos EUA de corte de subsídios
à agricultura no Orçamento Federal
elaborado pelo Governo Bush. A União Européia
segue inflexível em pontos sensíveis
ao Mercosul.
Outro tema relevante do quadro internacional
refere-se à negociação entre
o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações
para a construção da Comunidade
Sul-americana de Nações. É
um acordo que pode fazer frente à estratégia
norte-americana de imposição da
ALCA por meio de acordos bilaterais - o que permitirá
ao Brasil expandir seu comércio na América
do Sul.
CONJUNTURA NACIONAL
A herança neoliberal que varreu o mundo
a partir dos anos 90 provocou grandes estragos,
sobretudo pelas recomendações do
"Consenso de Washington", em especial
nos países latino-americanos.
No Brasil, entre outros, o receituário
foi aplicado com rigor: redução
do Estado; reforma fiscal, com o incremento da
arrecadação e redução
dos gastos públicos, especialmente na área
social; liberalização financeira;
abertura comercial; privatizações;
eliminação de qualquer tipo de política
industrial e tecnológica; flexibilização
trabalhista, com ênfase na eliminação
de direitos.
No Brasil, as conseqüências da aplicação
deste modelo sobre o balanço de pagamentos,
as finanças públicas, a atividade
do setor produtivo e a vida dos trabalhadores(as)
em geral, foram perversas: déficits na
balança comercial; altas taxas de juros,
bem acima das margens de rentabilidade do setor
produtivo; fechamento de inúmeras empresas;
demissões em massa; aumento do serviço
da dívida pública interna; elevação
da carga tributária de 29% para 36,5% do
PIB. Os US$ 105 bilhões arrecadados com
cerca de 100 empresas privatizadas por FHC esvaíram-se
na cobertura dos déficits no balanço
de pagamentos.
Este quadro de dificuldades foi agravado pelos
elementos estruturais ligados às transformações
mais amplas no modo de regulação
- novas tecnologias, novos métodos de organização
da produção, novas formas de relação
entre as empresas, novas formas de contratação
de trabalho, entre outros - que nos últimos
vinte e cinco anos têm resultado em crescente
precarização da mão-de-obra
e redução do nível de emprego.
Assim, na véspera da posse do Presidente
Lula, havia uma nítida degradação
do quadro social no Brasil. A taxa de desemprego
alcançava níveis alarmantes. A crise
social intensificava-se particularmente nas periferias
dos grandes centros urbanos onde a violência
e a miséria se concentraram. Estimativas
apontavam para a existência de mais de 10
milhões de desempregados no País.
Em 2003, a participação da massa
salarial no PIB era de 36% (contra 40% em 1994).
O salário mínimo valia apenas
74% do valor do final da década de 80.
A "informalização" espraiou-se
(atingindo mais de 50% do total de trabalhadores
ocupados), fruto da flexibilização
trabalhista gradativamente introduzida na legislação,
do aumento da carga tributária e das baixas
taxas de crescimento econômico. A dívida
social era gigantesca. O rolo compressor do "discurso
único" sustentava-se na frágil
estabilidade da moeda. Lula venceu as eleições
presidenciais num quadro em que o "Risco-País"
atingia cerca de 1400 pontos (tendo chegado a
2400 pontos em setembro de 2002) e o dólar
valia cerca de R$ 3,80.
No Brasil, a disputa política principal
se dá nos rumos que irá adotar o
governo de Lula. As elites brasileiras não
se deram por vencidas com a derrota na eleição
presidencial. Lula assumiu o país em graves
condições, fragilizado pelo desmonte
realizado no governo FHC, que privatizou estatais
e amarrou o país as políticas neoliberais
acordadas com o FMI. Nesse período o desemprego
atingiu os maiores índices da história,
os salários perderam força e a economia
brasileira não conseguiu se desenvolver.
Os direitos sociais foram ameaçados e até
restringidos. Lula está começando
a mudar esse quadro, porém a transição
ainda está longe de se completar.
As forças políticas conservadoras
mantiveram boa parte do poder político
através dos governadores e de parcela expressiva
do Congresso Nacional. Buscam se rearticular para
retomar a presidência em 2006. Não
toleram o diálogo do governo com os movimentos
sociais, a resistência de Lula à
ALCA, as políticas de retomada do controle
estatal sobre setores da economia entregues ao
mercado por FHC.
Bombardeiam toda iniciativa progressista e avançada
do governo. O sucesso do governo de Lula depende
de sua capacidade de avançar nessa transição
para um novo modelo de desenvolvimento, que consiga
romper as amarras do neoliberalismo e construir
uma alternativa de crescimento, valorização
do trabalho e de direitos sociais.
Contribuiu igualmente para o significativo crescimento
econômico do Brasil em 2004 o relativo afrouxamento
da política monetária, ocorrido
entre junho de 2003 e agosto de 2004, com a redução
da taxa básica de juros. Cresce também
aqui a preocupação com a retomada
da elevação dos juros pelo Banco
Central e que apesar de ter sido interrompido
dá ainda tímidos sinais de redução,
trazendo em seu bojo sinais de possível
desaceleração da produção
e do consumo já começam a aparecer
nos indicadores.
A rigidez do atual sistema de metas de inflação
adotado pelo Banco Central - que condiciona a
política monetária ao cumprimento
da meta de índice de preços - sujeita
a economia brasileira a seguidas "freadas".
Para 2005, a meta de inflação, fixada
em 5,1%, não deve ser alcançada
sem a continuidade da política de juros
altos.
Entendemos que ao optar por uma meta de superávit
primário (economia de receitas para o pagamento
de juros), o governo do presidente Lula também
conseguiu aprovar no início de 2005, junto
ao FMI, o projeto-piloto de investimentos em infra-estrutura,
onde o governo poderá, por exemplo, aumentar
em cerca de R$ 3 bilhões, anualmente, os
gastos em empreendimentos no setor portuário
e na construção e recuperação
de estradas, sem comprometer o cumprimento da
meta de superávit primário.
Nestes mais de dois anos, foram realizados fortes
ajustes na economia para ampliar a poupança
do governo e, com consciência, aumentar
a capacidade de honrar os compromissos, externos
e internos. Ao mesmo tempo, em que houve firmeza
no controle da inflação. Todas essas
medidas tiveram ampla repercussão no mundo
inteiro, dando confiança e credibilidade
ao novo governo do Brasil.
Somente no ano de 2004 o Brasil cresceu 4,9%,
a maior taxa dos últimos dez anos. A indústria
cresceu 8,3%. Praticamente todos os números
da economia em 2004 foram recordistas. E tudo
isso significou forte geração de
empregos: foram mais de 2 milhões de novos
empregos com carteira assinada em todo o país
nesses últimos dois anos. As nossas exportações,
nos últimos 12 meses, atingiram o recorde
histórico de mais de US$ 100 bilhões.
O Brasil ainda tem o triste título de maior
desigualdade social do mundo.
Enfim, credibilidade internacional, independência
financeira, crescimento econômico, geração
de empregos de qualidade, é tudo o que
o Brasil precisa para melhorar a sua distribuição
de renda, reduzir a pobreza e as injustiças
sociais. Porque, no final das contas, é
esse o grande objetivo do governo Lula, em quem
acreditamos.
Entretanto acreditamos que é necessário
avançar nas mudanças, principalmente
na mudança da política econômica.
Entendemos que existe uma disputa na sociedade
e dentro do Governo em relação a
isso, uma parcela da sociedade acredita que o
Governo Lula não deve mudar em nada a atual
política econômica herdada do Governo
FHC, enquanto outra parcela, da qual nós
compartilhamos das idéias, acredita que
estas mudanças são fundamentais
para que o país possa se desenvolver e
construir o futuro tão desejado por todos
nós.
Essa mudança não vai se dar sem
luta política e social. Os movimentos não
podem ficar paralisados frente ao governo, acreditando
que esta disputa se dará somente dentro
do Governo Lula, portanto, não podem também
adotar uma postura inconseqüente de oposição.
O caminho é ampliar as lutas para que as
mudanças se realizem, ajudar a construir
um ambiente favorável ao avanço
das mudanças.
O governo lula e a crise política
A atual crise política vai além
da questão das denúncias de corrupção
que atinge e envolve integrantes do governo federal
e parlamentares de diversos partidos políticos,
pois, coloca em discussão o próprio
sentido do atual sistema democrático. Em
parte se deu devido ao distanciamento do governo
Lula dos movimentos social e sindical, e pela
priorização dos aspectos econômicos
em detrimento de investimentos maiores na área
social. O Partido dos Trabalhadores - PT já
reconheceu que a cúpula se distanciou dos
princípios do partido e se embrenhou por
caminhos nada desejáveis.
É natural que em tempos de crise, a confusão
política e ideológica também
se intensifiquem e acabem por beneficiar os setores
conservadores da nossa sociedade, uma vez que
a mesma esta ainda dominada por estes interesses
e pela ideologia neoliberal.
Com o objetivo de "interditar" o governo
Lula, visando as eleições de 2006,
a direita e seus aliados, iniciaram uma ofensiva
juntamente com os grandes veículos de comunicação,
para desmoralizar o governo Lula e o partido dos
trabalhadores, tentando através de ameaças
de "impeachment" conseguir que o governo
patrocine uma emenda pondo fim a reeleição
e adote propostas de déficit zero.
É evidente que estes ataques por parte
da direita e de setores conservadores são
facilitados pelas denúncias de corrupção
e compra de votos e parlamentares ligadas especificamente
a questão do financiamento de campanhas
eleitorais e pelas denúncias de cobrança
de propinas e desvios de recursos públicos
de empresas estatais.
Fica cada vez mais claro que estes problemas
estão em grande parte ligados a definição
de uma política de alianças no processo
eleitoral e aos esforços para a composição
da base governista no congresso nacional, que
diferiu da prática política adotada
historicamente.
Por tudo isso é fundamental uma rigorosa
apuração de todas as denúncias
e a exemplar punição de todos os
responsáveis.
É fundamental também a realização
de ajustes na política econômica,
para que os investimentos sociais fortaleçam
o crescimento econômico e priorizem a distribuição
efetiva de renda e a criação de
empregos, pondo fim a política de juros
altos e a realização de superávits
primários para pagamentos de juros da dívida
externa e interna.
Para fazer frente a esta crise, acreditamos
ser fundamental que o governo Lula, amplie e intensifique
as relações com os movimentos sociais
e sindical, pois só com a reorientação
e reafirmação de políticas
sociais e na área da infra-estrutura, será
possível consolidar as bases de apoio para
a realização das mudanças
em que o povo brasileiro tanto necessita.
CONJUNTURA SETORIAL
Panorama do setor no mundo
A produção e o consumo mundiais
de papel vêm crescendo há mais de
quinze anos.
A taxa média verificada na década
de 1980 para o crescimento da demanda mundial,
foi de 3,6% ao ano. Para o período de a
1990/95 a taxa foi de 3,3% ao ano, sendo que as
perspectivas para o período de 1995/2005
são de taxas anuais médias ao redor
de 3,3% ao ano.
Ao final da década de 1990 eram comercializados
quase US$ 90 bilhões em produtos de papel
e celulose no mundo. A produção
praticamente estagnou nos países que lideram
o ranking (Japão, Estados Unidos e Canadá)
e cresceram na Indonésia, China, Brasil
e Finlândia.
Em 2000, 69% da celulose produzida no mundo
tinha como origem os países da Europa e
América do Norte, 20,5% vinham da Ásia
e 6,5% da América Latina. Isoladamente,
os Estados Unidos produzem cerca de 30% da celulose
mundial, seguido por Canadá, China, Finlândia,
Japão e Suécia.
Durante a década de 1990, a produção
mundial de papel cresceu 35%. Do total produzido
em 2000 (323 milhões de toneladas), 62%
estão concentrados em seis países:
Estados Unidos, Japão, China, Canadá,
Alemanha e Finlândia, que também
estão entre os principais consumidores.
Se relacionarmos a produção e
o consumo aparente em 2000, observamos que a produção
mundial de celulose foi de 188.684 toneladas,
para um consumo aparente 189.008 tonelada. Deste
total, o Brasil representou uma produção
de 7.463 toneladas para um consumo aparente de
4.870 toneladas.
O setor de papel e celulose no Brasil
No Brasil o setor de papel e celulose é
responsável por aproximadamente 100 mil
empregos diretos nas indústrias e florestas,
com faturamento total de R$ 23,1 bilhão.
O Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking
mundial de produtores de celulose, com 9,4 milhões
de toneladas por ano, e o décimo primeiro
entre os fabricantes de papel, com um volume de
8,2 milhões de toneladas produzidas anualmente.
Em 2004 o setor exportou o equivalente a US$
3,1 bilhões. Mais da metade da celulose
produzida é exportada para outros países.
Neste ano as exportações de celulose
cresceram 7,2% e as exportações
de papel aumentaram 4%, totalizando 1,8 milhões
de toneladas. Os principais destinos das exportações
brasileiras de papel e celulose são Europa
(45%), Ásia (32%) e América do Norte
(19%).
A produção brasileira em 2004
estava assim dividida: 48% em papéis de
embalagens, 29% em papéis de imprimir e
escrever, 9% papéis sanitários,
7% papel cartão, 4% papéis especiais
e 3% entre papel imprensa e cartolinas.
Dados de 2003 indicam que as exportações
brasileiras de pastas celulósicas destinaram-se
a 56 países de todos os continentes.
No que se refere aos investimentos, estão
previstos US$ 14,4 bilhões entre 2003 e
2012, com o objetivo de ampliar a capacidade produtiva
e aumentar as exportações.
A meta é de que a produção
de pastas celulósicas cresça 81%
neste período o que representa uma média
anual de 6,1%. Para a produção de
papel estima-se um incremento de 74% ao longo
dos dez anos e uma média anual de 5,7%.
A economia brasileira cresceu 4,9% em 2004 e
a indústria em geral cresceu em torno de
8,3%. A produção de Celulose no
país cresceu 4,8% em relação
a 2003, chegando aos 9,5 milhões de toneladas,
enquanto a de papel aumentou 3,6%, passando para
8,2 milhões de toneladas. No primeiro semestre
de 2005 a indústria apresentou uma expansão
de 5% e o setor de celulose e papel de 3,9%. No
estado de São Paulo o setor de Celulose
e papel apresentou um desempenho melhor quando
comparado à média nacional, 4,0%.
Para 2005 a previsão é que seja
produzido 1 milhão de toneladas a mais.
Nos dois mercados as exportações
também registraram crescimento 7,2% e 4%
respectivamente. Somando papel e celulose, o setor
deve fechar 2005 na casa de 6 milhões de
toneladas exportadas.
Se observarmos o comporta-mento do setor celulose,
papel e produtos de papel nos últimos 8
anos, encontraremos taxas de crescimento positivas
durante o período de 1997 a 2004 médias
de 4%.
Pouco mais da metade da celulose que é
produzida no Brasil é consumida pelas próprias
empresas integradas. Outros 40% são vendidos
para o exterior e apenas 10% são comercializados
no mercado interno.
Ao contrário da celulose, a produção
brasileira de papéis é destinada
basicamente (62%) ao mercado interno. Apenas 15%
são comercializados no exterior e 22% são
convertidos em produtos acabados pelas próprias
empresas.
O principal tipo de papel fabricado no Brasil
é o offset. Na outra ponta aparecem os
papéis de imprensa, cuja produção
interna é insuficiente para abastecer o
mercado nacional. Quatro grandes conglomerados
controlam a produção de papel de
imprimir e escrever no Brasil: Grupo Suzano, Votorantim,
International Paper e Ripasa.
Já o setor de embalagens reúne
um número maior de empresas, embora o Grupo
Klabin represente cerca de 42% do total fabricado
no país em 2000.
As vendas de papel e celulose para o exterior
representam mais de 4% das exportações
brasileiras.
Setor de papelão no Brasil
As vendas de papelão ondulado totalizaram
2.107 mil toneladas no ano de 2004, o que representou
um crescimento de 11,7% em relação
ao ano anterior.
O setor alimentício continuou como o
maior consumidor de embalagens de papelão
ondulado com participação de 36,0%,
seguido do setor de chapas de papelão ondulado,
com 14,3% e do setor químico e derivados,
com 9,2%.
Ao analisarmos os dados desde 2000 observa-se
que o consumo do setor de fruticultura e floricultura
foi o que mais cresceu, em torno de 40%. A região
sudeste responde por 49,9% das vendas, seguido
pela região sul com 29,7%.
O consumo "per capita" caiu nos últimos
5 anos, em 2000 correspondia a 12,0 kg/habitante,
em 2004 caiu para 11,6 kg/habitante, mesmo assim
o faturamento do setor cresceu 84% entre 2000
e 2004, enquanto o emprego cresceu apenas 3,3%.
Desempenho das principais empresas do setor
O faturamento das 5 empresas de capital aberto
com ações negociadas em bolsa no
primeiro semestre de 2005 é de $ 7,6 bilhões,
3% superior ao mesmo período de 2004. Das
empresas analisadas, a Aracruz celulose corresponde
a 24% do faturamento, a Votorantim detém
25%, Kalbin 22%, Suzano Papel e Celulose 19% e
Ripasa 10%.
Dados de emprego e perfil do setor
Com base nos dados da RAIS de 2003, verificamos
que dos 5.798.033 milhões empregos gerados
na indústria no país, o setor é
responsável por 2,83% destes empregos,
o que corresponde a cerca de 164 mil postos de
trabalho, distribuídos nas 3.269 empresas
que compõem o setor em geral.
No que se refere à composição
por gênero, as mulheres representam 23%
dos empregos, sendo que no segmento de fabricação
de artefatos de papel, papelão as mulheres
correspondem a 31%, enquanto no setor de fabricação
de papel o percentual de mulheres é de
apenas 11%. Estas diferenças, certamente,
estão associadas aos processos de trabalho
de cada segmento.
Portanto, a presença das mulheres na
categoria ocorre de forma bastante diferenciada,
elas estão majoritariamente nos setores
em que a utilização de tecnologia
é menos intensa.
A distribuição do emprego indica
uma concentração nos segmentos de
fabricação de papel e fabricação
de embalagens de papelão, estes dois segmentos
respondem por 48% dos empregos.
A região Sudeste responde por 57,5% dos
empregos, seguida pela região Sul com 31%
dos empregos, ficando a região nordeste
com 8%, a região norte com 2% e a região
centro-oeste com 1,5%.
Portanto, este é um setor com alta produtividade
e lucratividade, com alto grau de tecnologia,
o que leva a um reduzido número de postos
de trabalho se comparado com o desempenho destas
indústrias.
BALANÇO DO MANDATO GESTÃO 2002/2005
A atual gestão iniciou-se no final do
segundo semestre de 2002, numa conjuntura política
e econômica, marcada pelo ataque de políticas
neoliberais, centrada no ataque aos direitos dos
trabalhadores, com crescentes índices de
desemprego, pela ausência de política
Industrial e políticas sociais.
Foi neste cenário que aconteceram as campanhas
salariais dos segmentos que compõem o setor
papeleiro no ano de 2002, o que exigiu muita competência
e criatividade por parte das equipes negociadoras
e conseqüentemente um grande envolvimento
dos trabalhadores para respaldar e garantir o
avanço das lutas e não aceitar a
retirada ou flexibilização de direitos,
somado ao fato de ainda não termos uma
campanha salarial nacional unificada.
A partir da eleição de LULA no
final de 2002, o SINAP, tem apoiado as medidas
tomadas pelo governo, no que diz respeito à
defesa dos direitos dos trabalhadores. Por ser
uma entidade que foi criada para unir os trabalhadores
de todo o país, e, reconhecendo que o atual
modelo sindical está ultrapassado, defendeu
a necessidade de uma proposta de reforma do modelo
sindical visando maior liberdade e autonomia ao
movimento sindical e aos trabalhadores.
Este mandato também foi marcado pelo
investimento na capacitação de dirigentes
dos Sindicatos Locais. Em parceria com os companheiros
do Pappers da Suécia, realizamos um grande
programa de formação sindical de
dirigentes, capacitando assim uma equipe de dirigentes/formadores
sindicais, que atuaram na realização
em nível nacional de seminários
com os Sindicatos Locais nos diversos estados,
para debater as propostas de mudanças no
modelo sindical vigente, sua importância
para o fortalecimento do SINAP e dos Sindicatos
Locais.
A direção do SINAP cumpriu mesmo
que parcialmente as definições do
plano de lutas e tarefas aprovadas no último
congresso. Participou e apoiou a luta contra a
ALCA, participou das lutas e mobilizações
contra a política neoliberal do governo
FHC, realizou campanhas em favor da reposição
dos salários, participou de lutas contra
a terceirização, contra a flexibilização
de direitos e contra a privatização,
participou de todas as lutas em defesa dos turnos
de 6 horas e pela redução da jornada
de trabalho, contra os bancos de horas e contra
a precarização do trabalho e participou
ativamente dos Fóruns Sociais Mundiais
realizados em Porto Alegre.
A presidência do SINAP, como espaço
de coordenação e articulação
da direção nacional, cumpriu um
importante papel neste mandato, pois, se firmou
como o elo de ligação entre as diversas
secretarias, garantindo assim uma forte integração
do trabalho sindical e uma conseqüente aproximação
com os Sindicatos Locais.
Estas ações de forma articulada
criaram bases para um processo que desencadeou
diversas lutas, garantindo importantes conquistas
para os trabalhadores.
Participou de atividades representando a direção
do SINAP e defendendo os interesses dos trabalhadores
dos segmentos representados, junto a autoridades
governamentais e não governamentais.
A Secretaria de Finanças implementou
ao longo do mandato as adequações
necessárias para possibilitar um melhor
atendimento das demandas tanto da direção
como dos Sindicatos Locais. Podemos afirmar que
o êxito alcançado é fruto
do esforço tanto da secretaria de finanças
como das demais secretarias do SINAP que esforços
na busca do equilíbrio das finanças,
equilíbrio este que foi fundamental para
que cada secretaria pudesse planejar e realizar
suas ações e atividades.
A Secretaria de Administração
e Assuntos Jurídicos buscou ao longo do
mandato realizar estudos sobre leis que dialogam
com interesses dos trabalhadores. Também
orientou neste período ações
jurídicas de interesse coletivo, impetradas
por Sindicatos Locais, exigindo o pagamento de
adicional de periculosidade para eletricistas,
tendo com referencia a vitória do Sindicato
Local de Itapeva contra a Orsa.
Tem também atuado solidariamente junto
às assessorias jurídicas dos Sindicatos
Locais, dando suporte e orientações
para encaminhamento de fatos e outras ocorrências
do dia-a-dia.
A Secretaria de Saúde e Meio Ambiente
também realizou um grande trabalho no processo
de denúncia inclusive em nível internacional
das péssimas condições de
trabalho que estão submetidos os trabalhadores
e trabalhadoras do setor. As precárias
condições de trabalho têm
ocasionado acidentes com graus elevados de mutilação
e que em alguns casos tem levado a mortes.
Sabemos que um dos grandes desafios do movimento
sindical é colocar as CIPAS a serviço
dos trabalhadores, neste sentido, a secretaria
tem buscado construir juntamente com a secretaria
de formação propostas que possam
ajudar neste processo.
A Secretaria de Formação Sindical
e Gênero realizou neste mandato em parceria
com a Escola Sindical SP e outros parceiros o
programa de capacitação da equipe
de formadores voluntários. Fruto deste
processo formativo foi a realização
de diversos seminários com as direções
dos Sindicatos Locais em nível nacional,
além da realização de seminários
de planejamento sindical realizado junto com a
direção nacional.
No âmbito internacional, demos continuidade
ao trabalho de intercâmbio com interlocutores
internacionais, mantendo um canal de dialogo ativo
com diversas entidades, das quais destacamos em
especial, Pappers da Suécia, Paperillitto
da Finlândia através do SASK e CEP/SCEP
Canadá através do Humanity Fund.
Sabemos que um dos grandes desafios para o movimento
sindical e em especial para o nosso setor é
gerar políticas que assegurem uma maior
participação das mulheres nas atividades
e na vida sindical, neste sentido, aprovamos na
reunião da direção do SINAP,
a orientação para que os Sindicatos
Locais busquem ter representação
de pelo menos 10% de trabalhadoras do setor nas
delegações ao II Congresso do SINAP.
A Secretaria de Política Sindical buscou
ao longo deste mandato, acompanhar os processos
eleitorais dos diversos Sindicatos Locais, no
entanto, este acompanhamento sempre teve como
princípio o respeito à autonomia
dos Sindicatos Locais. Esteve presente também
nos diversos processos de lutas realizados pelos
Sindicatos Locais em nível nacional.
A Secretaria de Imprensa e Comunicação,
através da assessoria de imprensa, realizou
neste mandato um trabalho fundamental para fortalecer
a organização dos trabalhadores.
A confecção permanente de boletins
e outros informativos sejam impressos ou via web
tem garantido aos Sindicatos Locais o acesso às
notícias e informações de
lutas que acontecem nas outras bases. A pagina
do SINAP na Internet tem se firmado como uma importante,
ágil e precisa ferramenta de informação,
para os Sindicatos Locais, para os trabalhadores
e a sociedade em geral. A pagina do SINAP, através
de links como o da Rede de Trabalhadores da Klabin
tem dado voz aos trabalhadores e ajudado na organização
da ação sindical em nível
nacional.
A Secretaria de Relações Internacionais,
juntamente com a Presidência do SINAP, tem
realizado um importante trabalho de intercâmbio
e troca de informações com entidades
sindicais internacionais. Sempre orientado pela
defesas dos interesses dos trabalhadores do setor,
tem promovido aqui no Brasil e ou participado
a convite das entidades internacionais Dinamarquesas,
Suecas, Finlandesas, Americanas, Canadenses etc...,
de atividades sindicais como congressos, encontros
e reuniões, objetivando fortalecer cada
vez mais a solidariedade de classe.
Deu continuidade ao trabalho de intercâmbio
com entidades internacionais das quais destacamos
em especial, Pappers da Suécia, Paperillitto
da Finlândia através do SASK e CEP/SCEP
Canadá através do Humanity Fund.
A Secretaria de Negociação Coletiva
e Banco de Dados, em parceria com a assessoria
de imprensa, tem buscado construir um banco de
dados de acordos realizados pelos Sindicatos Locais.
Apesar das dificuldades encontradas, hoje já
temos diversos acordos colocados à disposição
dos Sindicatos Locais na pagina do SINAP.
O SINAP organizou ainda as seguintes lutas
importantes:
- Negociação de acordos com a Multinacional
Mapol, através de acordos celebrados com
a direção da empresa na Dinamarca.
- Pela incorporação dos trabalhadores
terceirizados no Pará, em junho de 2003,
quando 2300 trabalhadores das prestadoras de serviço
da área Florestal da Jarí passaram
a integrar o Sindicato Local do Pará e
Amapá.
- Contra a demissão de dirigentes do sindicato
Local do Pará e Amapá, JOSÉ
MARIA DA SILVA e CARLOS LACERDA MACIEL pela empresa
FACEPA no Pará
- Condução da greve de 4 a 12/11/2004
no Projeto veracel, quando cerca de 9 mil trabalhadores
de empreiteiras cruzaram os braços na busca
de melhores condições de trabalho.
- Mobilizações nas campanhas salariais
da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Santa
Catarina.
- Em abril de 2004, intensificação
na luta contra a grilagem de terras pela Jarí
Celulose no Pará.
- Desenvolvimento de ações e atos
referentes ao Dia do Trabalhador, Dia Internacional
da Mulher, contra a flexibilização
dos direitos trabalhistas e por um salário
mínimo maior.
- Participação na Audiência
Pública sobre florestas.
- Debate no BNDES sobre os financiamentos de
novas fábricas de celulose e papel no Brasil.
- Participação ativa nas greves
da empresa ArjoWinggs em Salto, em novembro de
2005.
- Enfrentamento no judiciário contra a
truculência policial nas portas de fábricas.
- Construção de mais um Sindicato
Local em Montes Claros, Minas Gerais.
- Campanha de mobilização contra
o atraso de pagamentos nas empresas do Grupo João
Santos (Maranhão e Pernambuco) no inicio
de 2005.
Apesar do balanço positivo, é importante
ressaltar que encontramos também muitas
dificuldades neste mandato para implementar ações
e propostas aprovadas no nosso último congresso,
pois, há que se reconhecer os limitadores
impostos pela dimensão e distribuição
geopolítica do setor em nível nacional.
Por fim, salientamos a necessidade de intensificarmos
nossas ações para integrar cada
vez mais os segmentos que compõem o setor
no trabalho do dia-a-dia, isso exigirá
de todos nós um grande esforço se
quisermos de fato consolidar a SINAP como organismo
de representação real do setor em
nível nacional.
QUESTÕES DE GÊNERO
A SITUAÇÃO DA MULHER NO MUNDO
DO TRABALHO
No Brasil, nos últimos 40 anos, houve uma
entrada massiva de mulheres no mercado de trabalho.
Estima-se que a presença de mulheres no
mercado de trabalho é de 57%. Este dado
é significativo, no entanto, analisando
mais detalhadamente, verificamos que a maioria
das mulheres estão em profissões
menos valorizadas, que exigem menos qualificação
e, portanto recebem salários menores: ganham
o equivalente a 60% da média recebida pelos
homens, mesmo quando desempenham a mesma função.
Tudo isto, sem contar a dupla jornada de trabalho.
Observa-se também um aumento do número
de mulheres chefes de família. Sendo que
isto se dá mais entre as mulheres mais
pobres, que em sua maioria, são negras.
Hoje, com a política neoliberal que implementa
a desregulamentação das relações
de trabalho, a flexibilização dos
direitos, a terceirização, a privatização,
o trabalho temporário e o trabalho em casa,
agrava-se ainda mais a situação
da mulher trabalhadora.
A precarização das condições
de trabalho afeta muito mais a mulher e é
agravada pelo sucateamento da prestação
de serviços públicos como saúde,
educação e creche. Como a mulher
continua acumulando as responsabilidades - maternidade,
educação dos filhos, serviço
doméstico, etc. - a redução
de serviços públicos e a sua privatização
esta agravando a situação.
Nosso setor é composto em média
por 10% de mulheres (incluir fonte) e isto nos
coloca o desafio de apresentarmos propostas de
organização das mulheres que garantam
um maior enfrentamento, imposto pelo capital e
uma maior ofensiva contra todos os tipos de discriminação
e desigualdades.
A opressão das mulheres não é
natural nem biológica. A origem, esta vinculada
ao surgimento da propriedade privada dos meios
de produção, isto é, esta
relacionada à opressão da classe,
porém, se manifesta e tem natureza específica
enquanto opressão de gênero (masculino)
sobre o (feminino).
Portanto, a luta pela emancipação
da mulher deve abranger mudanças na estrutura
sócio-econômica e política,
no capitalismo persiste e aprofunda a opressão
de gênero. É necessário lutar
por uma sociedade onde haja melhores condições
e ir eliminando a opressão.
GÊNERO: são as relações
sociais entre os sexos, são estas relações
que designam papéis diferenciados e desiguais.
RELAÇÃO DE GÊNERO: expressam
uma visão mais ampla da posição
da mulher na sociedade, hoje a luta política
principal é a luta contra o neoliberalismo,
pois além de aprofundar a exploração,
provoca a exclusão social como o desemprego,
a terceirização, a desregulamentação
e flexibilização dos direitos sociais.
Outra realidade é a falta de qualificação
necessária para entrar no mundo de trabalho,
daí dizemos que as categorias de trabalho
não qualificadas se feminizam cada vez
mais.
A difícil conjuntura pela qual vem passando
o País nos últimos anos, o ataque
aos trabalhadores pelo governo e os patrões,
muitas vezes nos impuseram, uma escala de prioridades,
que relegaram a segundo plano as discussões
de gênero, mas mesmo assim, temos garantido
minimamente a organização e intervenção
sobre a questão na categoria.
POLÍTICAS ESPECIFÍCAS: As mulheres
são vítimas de múltiplas
discriminações no processo de seleção
e nas carreiras. São sujeitas a questionários
e exames médicos discriminatórios.
Isto tudo ocorrendo, muitas das vezes, perante
o silêncio do movimento sindical. Soma-se
a isto o fato das mulheres sindicalizarem-se menos
e, proporcionalmente, serem um contingente maior
no quadro dos precarizados e parciais.
A incorporação da mulher no mercado
de trabalho é, por certo, um momento importante
da emancipação parcial das mulheres,
pois anteriormente esse acesso era muito mais
marcado pela presença masculina. "Porém
ao mesmo tempo em que incorporou a mulher"
o capital reconfigurou uma nova divisão
sexual do trabalho. Nas áreas onde é
maior a presença de capital intensivo,
de maquinário mais avançado, predominam
os homens. Nas áreas de maior trabalho
intensivo, onde é maior a exploração
do trabalho manual, trabalham as mulheres, os
negros, os imigrantes, as crianças, ou
todos eles juntos!"
A realidade nos mostra que a presença
da mulher no mercado de trabalho é cada
vez mais crescente, também percebemos que
as mulheres trabalhadoras buscam o sindicato como
espaço de representação e
defesa de seus direitos e interesses. Porém,
ainda é visível a forte desproporção
existente na relação participação
no mercado de trabalho e presença na entidade
de classe. Percebemos que a presença de
mulheres em organismo de direção
de Sindicatos Locais e do SINAP ainda é
muito pequena.
A luta contra a opressão e exploração
da mulher trabalhadora deve ser uma bandeira de
luta permanente do SINAP e dos Sindicatos Locais.
O SINAP deve levantar as bandeiras a favor da
igualdade de condições entre os
gêneros na agenda cotidiana das atividades,
contra a opressão e exploração
da mulher. Nas campanhas e negociações
é preciso incluir reivindicações
para que as trabalhadoras tenham: salário
igual para trabalho igual.
Para garantir a presença e a participação
das mulheres no SINAP e nos Sindicatos Locais,
e a fim de potencializar o trabalho e fortalecer
a discussão sobre gênero nas categorias
propomos:
a) Fortalecer a Secretaria de Gênero através
de uma política consistente de Gênero,
com planejamento estratégico para o setor;
b) Implementar campanhas que fortaleçam
as convenções da OIT sobre Gênero
e/ou mulheres com o objetivo de construir e fortalecer
novas relações de Gênero;
c) Estabelecer um plano de trabalho com as mulheres
do setor a fim de criar um vinculo mais orgânico
entre as trabalhadoras, o Sindicato e o SINAP;
d) Lutar pela manutenção dos direitos
conquistados tais como licença maternidade,
creches e o auxílio creche;
e) Combater a reprodução das discriminações
sociais de gênero e raça em todos
os níveis;
f) Realizar seminários, encontros, etc.,
com temas referentes à questão da
mulher trabalhadora, e a situação
da mulher no mercado de trabalho e na sociedade;
g) Iniciar a montagem de um banco de dados sobre
a situação da mulher trabalhadora
no setor;
h) Lutar contra a demissão de mulheres
durante o período de licença maternidade.
I) Lutar pela manutenção e ampliação
da licença maternidade.
j) A realização de uma ampla campanha
por creches próximas aos locais de trabalho,
além de darmos o exemplo, garantindo na
infra-estrutura nas atividades e eventos realizados
pelos Sindicatos Locais e SINAP.
k) Realizar uma campanha de sindicalização
de mulheres em nossos Sindicatos Locais com divulgação
através de materiais específicos
para elas. Essa campanha seria coordenada pela
Secretaria de Gênero.
l) Defesa intransigente da luta por igualdade
de oportunidades entre homens e mulheres pela
construção de novas relações
de gênero. As reivindicações
específicas das mulheres devem fazer parte
permanente das pautas de reivindicações
e das negociações coletivas.
m) Incentivar e apoiar a participação
de mulheres nos espaços de representação
dos sindicatos locais.
Parágrafo único: Que o SINAP e os
Sindicatos Locais busquem propiciar sempre um
ambiente de respeito com as mulheres trabalhadoras,
combatendo assim todo o entulho cultural machista
que assola a sociedade e o movimento sindical.
n) Combater todas as formas de discriminação
racial e de gênero, procurando sempre difundir
e denunciar a nível nacional, com todos
os mecanismos possíveis, qualquer ato discriminatório
que ocorra a nível local;
Que os Sindicatos Locais promovam treinamento
e cursos voltados para as esposas dos trabalhadores
no sentido de envolvê-las e aproximá-las
nas questões de gênero e qualidade
de vida.
QUESTÃO RACIAL
Atualmente o debate sobre a discriminação
racial vem ocupando um espaço maior no
que diz respeito aos assuntos de primeira ordem,
o que é muito positivo.
Historicamente, nós voltamos nossas energias
para que estes direitos, que se traduzem em cidadania,
sejam efetivamente o direito de todas as pessoas.
Mas, em meio a tudo existe uma forma de exclusão
que pela crueldade que representa, sobrepõe-se
a todas: a discriminação!
Para nós trabalhadores e trabalhadoras
a tarefa é ainda maior. Hoje é preciso
solidificar uma consciência de classe, gênero
e raça, contribuindo assim para uma sociedade
verdadeiramente democrática, onde todas
as pessoas, independente de classe, raça
e etnia, possam viver dignamente como cidadãos.
Por detrás do mito da "democracia
racial", os negros e negras no Brasil enfrentam
um racismo indiscutível que pode ser verificado
claramente através de dados, entre os quais,
do mercado de trabalho, do sistema educacional
e sobre a violência policial.
Ainda no mercado de trabalho são os negros
que enfrentam mais dificuldades para serem promovidos
ou receberem aumentos de salário, são
alvos preferenciais no caso de demissões,
casos de assédio moral, humilhações
e ofensas. O sistema capitalista, assim como fez
através da escravidão, continua
utilizando o racismo como forma de exploração.
A recente polêmica sobre cotas para negros
(as) nas universidades públicas também
revela dados semelhantes da discriminação
racial no sistema educacional. Na USP, entre os
cerca de 30 mil alunos, estima-se que apenas 1,3%
sejam negros. Até em Salvador, onde negros
representam 81% da população, os
estudantes brancos são maioria (52%) na
universidade federal da Bahia.
O SINAP e os sindicatos locais devem denunciar
e exigir punição para qualquer tipo
de discriminação, racial, principalmente
no local de trabalho. Estaremos juntos com as
entidades que lutam contra a discriminação
racial e em defesa do trabalhador(a) negro(a).
O SINAP deve levantar as bandeiras a favor da
igualdade racial. Nas campanhas e negociações
é preciso incluir reivindicações
que combatam veementemente todas as formas de
descriminação e de racismo. Devemos
ainda incentivar a promoção de cursos
e palestras para a conscientização
sobre a questão dos negros.
HOMOSSEXUAIS
Defendemos que as pessoas são livres
para adotarem a opção/orientação
sexual que quiserem.
Por entender que a luta contra a discriminação
também é uma luta contra o capitalismo,
o SINAP denunciará e exigirá punição
para qualquer tipo de discriminação
sexual.
Os trabalhadores e trabalhadoras que assumem
serem homossexuais (gays ou lésbicas) também
enfrentam a discriminação, principalmente
no local de trabalho, em vários casos,
sendo alvo de violência ou de piadinhas
de mau gosto.
O fato é que assim como mulheres e negros,
os homossexuais são vítimas da opressão
e discriminação disseminadas pelo
sistema capitalista, que usa este tipo de ideologia
racista e discriminatória, para dividir
a classe trabalhadora e enfraquecê-la.
O SINAP deve levantar as bandeiras contra todo
tipo de discriminação.
É evidente que o ato de discriminar está
canalizado nas minorias em geral, que embora numericamente
não sejam de fato minorias, não
têm suas necessidades e pensamentos expressados
nos vários setores de atuação
da sociedade.
E essa rotina discriminatória, como não
podia deixar de ser, é percebida como violência,
neste sentido devemos:
a) Lutar e combater todas as manifestações
discriminatórias em relação
aos negros, mulheres, idosos, homossexuais, portadores
de deficiências, doenças físicas
e contagiosas (AIDS), trabalhadores mutilados
e ou que tiveram a sua capacidade laboral reduzida
ou qualquer outra forma de discriminação
social.
b) Devemos buscar criar publicações
culturais e específicas nas questões
de gênero e raça.
c) Devemos buscar criar no setor uma comissão
da questão racial, para que possamos implementar
políticas e ações.
d) Realizar seminários e palestras com
temas referentes ao combate às discriminações
à questão de Gênero, Racial
e Homossexual.
EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO
DO SINAP
FORTALECIMENTO DOS SINDICATOS LOCAIS
Os avanços conquistados pelo SINAP nestes
três primeiros anos é decorrente
da integração com os sindicatos
locais.
Destaca-se neste processo o respeito à
autonomia de cada sindicato local. Juntos SINAP
e sindicatos locais tem ganhado visibilidade e
credibilidade junto aos trabalhadores, ao setor
empresarial e a sociedade. Esta credibilidade
é decorrente da seriedade do trabalho realizado.
Esta credibilidade e seriedade demonstrados
no dia-a-dia são elementos que permitirão
a expansão e consolidação
do SINAP como ferramenta de luta dos trabalhadores,
inclusive na conquista de novos sindicatos e crescimento
do seu número de filiados em nível
nacional.
AMPLIAÇÃO DA SINDICALIZAÇÃO
O SINAP tem clareza de que o que determina que
um sindicato é forte e representativo,
é o seu número de associados, neste
sentido, a sindicalização permanente
é de fundamental importância para
que o SINAP e os Sindicatos Locais se consolidem.
ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO DO SINAP
E DE BUSCA DE NOVOS SINDICATOS LOCAIS
Além da expansão através
da conquista de novos sindicatos locais, o SINAP
defende também a incorporação
na sua base de representação os
sindicatos de trabalhadores rurais que trabalham
no cultivo, colheita mecanizada e o corte do Eucalipto,
Pinho, Bambu, Acácias e outras culturas.
Defende também a representação
política e legal dos trabalhadores terceirizados
das empresas dos setores de Papel, Papelão,
Artefatos, CELULÓSE e carregamento e transporte
de madeira.
Entende que assim estará defendendo a
construção de um novo modelo sindical
articulado a partir da "Liberdade e Autonomia
Sindical", ou seja, onde caberá aos
trabalhadores decidirem por quem eles querem ser
representados.
ORGANIZAÇÃO NOS LOCAIS DE TRABALHO
A defesa da liberdade de organização
sindical é uma das principais formas de
enfrentamento contra a política patronal.
Neste sentido, a organização dos
trabalhadores tem de estar prioritariamente em
seu local de trabalho.
Para potencializar a ação sindical
em uma perspectiva classista, de luta e mobilização
permanente, O SINAP deve orientar os Sindicatos
Locais a priorizar a Organização
no Local de Trabalho.
A grande tarefa que têm os delegados deste
Congresso é avançar na organização
dentro dos locais de trabalho para lutar contra
a redução de direitos e de salários
e por emprego. É necessário incentivar
os ativistas e militantes sindicais a participarem
nos organismos de representação
dos trabalhadores nos locais de trabalho.
É a organização no local
de trabalho lutando contra a redução
de direitos. Por salários e empregos que
farão com que os trabalhadores vistam a
camisa de sua classe contra a exploração.
Neste sentido devemos:
a) Lutar pelo direito a organização
dos locais de trabalho, e que as representações
tenham estabilidade no emprego para que possam
exercer sua representação.
b) Lutar pela garantia plena ao direito de exercício
da atividade sindical nas fábricas, com
direito de greve e garantia no emprego;
c) Lutar pelo fim da criminalização
da atividade sindical (multas, interditos proibitórios,
demissões de dirigentes e representantes
de trabalhadores etc).
UNIDADE DE AÇÃO CAMPANHAS LUTA
CONTRA O DESEMPREGO
O desemprego e a distribuição
de renda mantêm-se em patamares inaceitáveis.
Com o crescimento econômico abaixo das necessidades
e o arrocho da política monetária,
que obedece ao estipulado no acordo com o FMI,
configura-se uma situação de profunda
deterioração do mercado de trabalho
brasileiro, situação esta que exige
uma mudança do modelo econômico,
que privilegie o trabalho, o desenvolvimento do
mercado interno, aliando crescimento com distribuição
de renda e inclusão social.
Em função desta realidade o SINAP
defende mudanças no atual modelo econômico
e juntamente com a sociedade e com os movimentos
sociais, buscará interferir neste processo.
Entendemos como inaceitável o modelo
imposto pelo FMI, onde o conjunto da classe trabalhadora
é penalizado. A exigência de um superávit
primário cada vez maior, destinado ao pagamento
das dívidas externas e internas, com evidente
prioridade para a área fiscal e pagamento
dos credores, o que faz com que, principalmente
as áreas de saúde, de educação,
organização agrária, transportes,
habitação e saneamento básico,
sofram cortes significativos de gastos.
Assim, devemos de forma permanente:
a) Lutar pelo aumento real de salários;
b) Lutar em defesa do emprego;
c) Lutar pela educação pública;
d) Lutar pela saúde pública;
e) Lutar pela reforma agrária;
f) Lutar pela universalização do
direito à seguridade social;
g) Lutar contra a renovação do acordo
com o FMI;
h) Lutar contra a ALCA;
i) Lutar pelo fortalecimento dos movimentos sociais;
j) Lutar por uma nova estrutura sindical;
k) Lutar contra a terceirização;
l) Lutar contra a utilização das
horas extras como forma da não geração
de novos postos de trabalho;
m) Lutar por uma política de geração
de emprego;
n) Aprofundar o debate sobre trabalho informal,
criar políticas de combate ao trabalho
escravo, mão-de-obra infantil.
Para realização dessas bandeiras,
a) O SINAP entende que é necessário
lutar através de nossos Sindicatos Locais
e o conjunto do movimento sindical e social, pela
imediata redução da taxa de juros
e para que a remuneração do capital
"especulativo", seja direcionada aos
investimentos nas áreas sociais e ao crescimento
econômico.
b) O SINAP e os Sindicatos Locais devem participar
das negociações de ampliação
do crédito nos investimentos produtivos,
para assegurar a ampliação de empregos
e garantias ao trabalhador.
c) O SINAP e os Sindicatos Locais devem participar
das negociações pelo fortalecimento
do micro-crédito, para assegurar a ampliação
de empregos e capacitação dos pequenos
investidores.
d) O SINAP deve apoiar a campanha de valorização
do salário mínimo e a marcha mundial
de mulheres.
d) O SINAP apoiará as campanhas de políticas
públicas afirmativas em favor da raça
negra e afros-descendentes.
e) Apoiar efetivamente a luta em defesa da Reforma
Agrária, para garantir a terra para quem
nela trabalha, a função social da
propriedade, a geração de emprego
e inclusão social e digital, divulgando
mobilizações, denunciando, participando
das campanhas e marchas dos Trabalhadores Rurais,
disponibilizando dirigentes e assessores quando
possível, dando apoio concreto.
DEFESA DO SALÁRIO MÍNIMO
O Salário Mínimo, então,
há muito tempo vem perdendo seu poder de
compra. Algumas informações sobre
a evolução do Salário Mínimo
no Brasil, desde sua constituição,
são alusivas para análises mais
profundas sobre o tema. Informações
obtidas no Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)
indicam que o poder de compra do Salário
Mínimo teve queda vertiginosa no decorrer
de sua existência legal.
Neste sentido:
a) O SINAP deve apoiar todas as campanhas pela
recuperação do valor do Salário
Mínimo.
b) O SINAP deverá realizar uma campanha
em defesa da correção nominal do
salário mínimo no período
em que as negociações estiverem
ocorrendo no congresso nacional, com o intuito
de ampliar o salário mínimo e beneficiar
os aposentados(as) e pensionistas.
c) O SINAP deve apoiar todas as iniciativas de
parlamentares no sentido de emendar a Medida Provisória
com vistas a ampliar em níveis satisfatórios
o reajuste do salário mínimo.
d) O SINAP, lutará para recuperação
do poder aquisitivo do salário mínimo,
divulgando para toda a sociedade, que uma política
de aumentos reais para aumentar o seu poder de
compra é fundamental para promoção
de desenvolvimento e distribuição
de renda.
RECUPERAÇÃO DOS SALÁRIOS
EM GERAL
A recuperação dos salários
em geral é uma das bandeiras mais importantes
para os trabalhadores e seus sindicatos, neste
sentido,
a) O SINAP realizará Campanhas Salariais
nacionalmente articuladas com os sindicatos locais,
sempre defendendo que não se assine "nenhum
acordo abaixo da inflação".
b) O SINAP e todos os Sindicatos Locais filiados
deverão desenvolver uma permanente campanha
pela correção da tabela do imposto
de renda, no mínimo, pelos mesmos índices
oficiais de inflação, para que as
reposições ou reajustes conseguido
pelos trabalhadores, não sejam "engolidos"
no pagamento do Imposto de Renda.
c) O SINAP juntamente com os Sindicatos Locais,
implementarão campanha por aumento real
dos salários, pela valorização
dos salários, e pela incorporação
nos salários, de todas as formas de remuneração
indireta.
d) O SINAP deve apoiar todas as lutas e mobilizações
dos trabalhadores por aumento geral e recuperação
dos salários.
e) Propor a realização de Campanhas
Salariais e Reivindicatórias Nacionalmente
Articuladas em todos os níveis.
f) Articular a realização de campanhas
nacionais contra a prática de horas extras,
contra as terceirizações, o trabalho
temporário, e em defesa do direito a organização
nos locais de trabalho.
REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO
A burguesia contemporânea não difere
de seus pares no passado e a luta de classe continua
sendo o motor da história; neste caso especifico
não há consenso entre capital e
trabalho. O movimento sindical não pode
ficar apenas em campanhas corporativas e salariais,
é preciso ampliar nossos horizontes de
lutas. Está em nossas mãos uma grande
parcela de responsabilidade na luta pelo emprego,
pela valorização do trabalho e pelas
condições de vida da maioria do
povo brasileiro.
Na história do capitalismo, desde o seu
nascimento, esta luta sempre desencadeou um alto
grau de radicalismo entre capital e trabalho.
A redução da jornada de trabalho
será uma importante batalha política
dos trabalhadores e da sociedade.
A geração de emprego é
sem dúvida uma das ações
mais esperadas pela população brasileira
do novo governo, porém, segmentos que lucraram
e continuam lucrando com a situação
atual tudo farão para inviabilizar a proposta.
O SINAP defenderá e apoiará campanhas
pela redução da jornada de trabalho
que defendam a REDUÇÃO DA JORNADA
DE TRABALHO, SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO,
mais emprego e melhor qualidade de vida.
Para Impulsionar uma Campanha pela Redução
da Jornada de Trabalho Sem Redução
de Salário é necessário:
a) Fazer lutas, movimentos, realizar e propor
campanhas de esclarecimentos aos trabalhadores
e à opinião pública sobre
a necessidade e viabilidade da redução
de jornada, sem redução dos salários,
inserindo-a como reivindicação permanente
nas pautas, em situações de lutas
e mobilizações.
b) Tornar permanente a luta pela redução
da jornada sem redução nos salários
e contra o desemprego, devemos unificar no setor
a reivindicação pela redução
de 10% nas respectivas jornadas.
c) Combater aos bancos de horas. O SINAP deve
orientar e dar suporte para que todos os Sindicatos
Locais não façam nenhum acordo,
e que sejam efetivadas ações de
retaliações as empresas que tentem
implantá-lo.
d) Combater a utilização das horas
extras como forma de não criação
de novos postos de trabalho.
e) Assegurar a 5ª turma de trabalho, garantida
pela Constituição de 1988, para
os turnos ininterruptos e ou de revezamento conforme
art. 7º da Constituição Federal
e lutar pela implantação da 5ª
turma.
f) Lutar por uma política de geração
de emprego;
g) Articular a realização de campanhas
nacionais contra a prática de horas extras,
contra as terceirizações, o trabalho
temporário, e em defesa do direito a organização
nos locais de trabalho.
h) Articular campanhas pela redução
da jornada em 10% sem redução de
salários.
i) Lutar pela incorporação de jovens
no mercado de trabalho, defendendo políticas
públicas de incentivo ao primeiro emprego.
TERCEIRIZAÇÃO
Ainda na luta pela geração de
trabalho e renda, lutando pela melhoria da qualidade
de vida dos trabalhadores, é importante
deflagrar uma intensa campanha de mobilização
e luta contra a terceirização.
Entendemos ainda que a terceirização
é feita de forma a precisar de um número
cada vez menor de funcionários para a mesma
produção, muitas vezes piorando
o meio ambiente, as condições de
trabalho e gerando acidentes. Há muitos
casos de funcionários que são demitidos
da empresa contratante e readmitidos pela terceira,
com a perda de direitos.
Terceirização significa salários
reduzidos; falta de benefícios como alimentação
e transporte; dificuldade de organização
sindical; falta de política de treinamento;
ritmo de trabalho muito mais acelerado e ambiente
degradado.
Além disso, são comuns os casos
de trabalhadores de empresas terceiras que, após
algum tempo, passam a exercer funções
para as quais não foram contratados, sem
ter os direitos garantidos.
Outro problema grave da terceirização
é o da discriminação e disputa
entre trabalhadores, pois há vários
patrões e, ao mesmo tempo, nenhum, o que
pode desintegrar a unidade entre os trabalhadores
e dificultar ainda mais a organização
sindical em geral e nos locais de trabalho, o
que interessa muito aos patrões.
Em função desse quadro, o 2º
Congresso do SINAP, propõe:
a) Lutar contra a terceirização
b) Exigir o enquadramento dos trabalhadores das
empresas terceirizadas no sindicato Local.
c) Denunciar e combater todas as formas de terceirização.
d) Lutar pela garantia de um salário profissional
e pela elevação dos pisos salariais.
e) Divulgar para toda a categoria as más
condições de trabalho dos terceirizados
(salários, benefícios, rotatividade
etc) e incentivaremos movimentos de solidariedade.
f) Apoiar sempre as lutas dos trabalhadores das
empresas terceirizadas.
g) Lutar pelo direito de representar todos os
trabalhadores terceirizados que prestarem serviços
às empresas do setores representados pelos
sindicatos locais.
h) Sob as bandeiras do Desenvolvimento, Emprego,
Salário e Distribuição de
Renda, reforçamos que devemos lutar sempre
contra todas as formas de precarização
de direitos dos trabalhadores, que devemos combater
permanentemente as terceirizações,
desenvolver uma ampla e efetiva campanha de ações
pela redução da jornada de trabalho,
sem redução de salário, combater
os bancos de horas;
ECONOMIA SOLIDÁRIA
No atual cenário de altas taxas de desemprego
e de fechamento de empresas é necessário
apoiar formas alternativas de geração
de trabalho, renda e desenvolvimento social.Diversas
cooperativas de produção foram criadas
a partir da conversão de empresas em crise,
possibilitando a manutenção e a
geração de novos postos de trabalho,
apontando para uma distribuição
mais igualitária dos ganhos e capacitando
os trabalhadores a gerirem a produção.
O SINAP necessita envolver-se com o tema da
Economia Solidária, visto que alguns dos
Sindicatos Locais do setor, têm dado total
apoio aos trabalhadores que buscam constituir
cooperativas.
Neste contexto, propõem-se:
a) Que o SINAP dê todo o apoio aos Sindicatos
Locais e aos seus trabalhadores que adotem a proposta
de constituição de cooperativas,
ou outras formas de geração de trabalho
e renda, na perspectiva de uma economia mais justa
e solidária;
b) Que o SINAP auxilie os Sindicatos Locais a
filiarem os sócios-trabalhadores em cooperativas
de produção, ampliando com isto
as respectivas bases sindicais;
c) Que o SINAP busque realizar estudos sobre cooperativas
através de parceria com a UNISOL e ADS
além de estabelecer convênios com
entidades nacionais e internacionais que trabalhem
com o tema da economia solidária, ampliando
o horizonte de compreensão, apoio e participação
dos dirigentes e trabalhadores no fortalecimento
da economia solidária e incentivar o crédito
através de cooperativas como a Papel Créd
de Otacílio Costa/SC;
d) Que o SINAP firme como política permanente
combate às falsas cooperativas (COOPERGATOS)
que estão se proliferando como forma de
precarização dos direitos trabalhistas;
e) Que o SINAP lute pelo Crédito Solidário
junto a CEF Caixa Econômica Federal, para
financiamento de moradias e construção
de moradias para os trabalhadores.
f) Que se amplie os debates internos com os temas
"Autogestão de empreendimentos Solidários"
e "Crédito Solidário";
g) Que nos temas relacionados à Geração
de Trabalho e Renda um dos eixos principais seja
a Economia Solidária e o apoio a iniciativas
que levem em consideração o Desenvolvimento
Solidário Sustentável.
LEI DE FALÊNCIAS
O SINAP entende que o projeto da nova Lei de
Recuperação e Falências de
Empresas PLC 71/2003, aprovado na Câmara
Federal, é um grave retrocesso, que garante
os interesses do sistema financeiro em detrimento
explícito dos direitos dos trabalhadores.
Todos sabemos que a atual lei de falências,
tem servido de instrumento para a ação
de pessoas inescrupulosas que se locupletam às
custas de enormes prejuízos gerados aos
trabalhadores, às próprias empresas
e ao Estado. Além disto, a lei em vigor
não prevê meios eficazes para permitir
a recuperação econômica das
empresas, o que gera consideráveis prejuízos
à Economia nacional.
Nós do SINAP entendemos que devemos buscar
a real e verdadeira recuperação
de empresas como forma de encontrar soluções
que levem em conta sua sobrevivência e os
interesses dos trabalhadores, num primeiro momento,
impedindo o seu fechamento, mantendo, assim, os
postos de trabalho e, num segundo momento, propiciar
as condições objetivas para a constituição
de novas empresas organizadas por trabalhadores,
sempre em sistema autogestionário, isto
é, mediante a administração
e controle dos negócios pelos próprios
trabalhadores.
As experiências até aqui desenvolvidas
demonstram que é, de fato, possível
recuperar empresas em dificuldade, manter os atuais
e gerar novos postos de trabalho e também
aumentar a renda dos trabalhadores.
Sem falar na reativação da Economia
e geração de divisas e tributos
ao país.
O SINAP propõe:
a) Preferência real e efetiva e celeridade
para o pagamento dos créditos trabalhistas,
em qualquer circunstância (seja na fase
de recuperação da empresa ou da
falência), por se tratar de verbas necessárias
à sobrevivência do trabalhador e
de sua família. Tais créditos deverão
ser pagos à frente dos de natureza financeira
e dos compromissos assumidos na reabilitação
dos negócios.
b) Não parcelamento dos créditos
trabalhistas de natureza salarial.
c) Habilitação de créditos
trabalhistas em caráter provisório,
a fim de assegurar o direito de participação
dos atuais empregados como credores trabalhistas,
nas assembléias gerais de credores, instância
obrigatória para o exame das propostas
de recuperação judicial da empresa.
d) Representação dos direitos individuais
e coletivos dos trabalhadores, exercida pelo sindicato
profissional, para que se assegure sua participação
efetiva e obrigatória em qualquer negociação
que se relacione com a recuperação
da empresa, bem assim nas assembléias de
credores, ou quaisquer comitês que sejam
criados, de forma a garantir a defesa dos interesses
dos trabalhadores, que devem ser considerados
como grupo organizado.
e) Arrendamento dos bens a sociedades constituídas
pelos trabalhadores, com opção de
compra, sem sucessão de obrigações.
Trata-se de mecanismo preferencial de recuperação
da empresa a fim de impedir que os trabalhadores
tenham de pagar as dívidas da empresa.
f) Simplificação dos procedimentos
e redução das possibilidades de
recursos, no caso da recuperação
judicial da empresa, para que este mecanismo possa
ser mais bem utilizado.
g) Fixação de sanções
a serem aplicadas àqueles que ensejarem
o não cumprimento dos prazos máximos
para solução da recuperação
da empresa (nove meses) ou da falência (quatro
anos).
h) Supressão da previsão expressa
de redução de salários e
aumento de jornada de trabalho.
i) Direito ao recebimento das indenizações
do FGTS e demais multas trabalhistas, mesmo no
caso de recuperação judicial ou
falência da empresa.
j) Rigor absoluto na apuração e
punição de crimes financeiros e
tributários, de fraude contra credores
e crimes falimentares, tão comuns nos dias
de hoje, cujos autores se escondem por trás
da grande impunidade existente neste meio.
ORGANIZAÇÃO NOS LOCAIS DE TRABALHO
Este é um dos objetivos principais a
ser perseguido pelo SINAP, pois está ligado
a ele a democracia nos locais de trabalho, rompendo
com a tirania patronal e o abuso das ações
anti-sindicais.
É evidente que o local de trabalho é
um espaço de constante disputa entre capital
e trabalho, no entanto,não podemos aceitar
que o setor patronal não aceite democratizar
as relações de trabalho e respeite
a autonomia dos trabalhadores e as suas formas
de organização.
CIPAS
No atual momento as CIPAS têm papel fundamental:
são instrumentos de debates sobre a reestruturação
produtiva e o impacto dela na saúde e integridade
física e mental dos trabalhadores. Entre
elas, LER/DORT (Doenças Osteomusculares
Relacionadas ao Trabalho), estresse, depressão
e acidentes de trabalho.
É necessário que os Sindicatos
Locais atentem para a importância das Organizações
de Base, para que elas sejam efetivamente um canal
permanente de dialogo com os Sindicatos Locais,
sem contar da importância da formação
sindical para a preparação destes
representantes, objetivando, estabelecer uma política
de preparação que orientem os cipeiros
em como agir no seu local de trabalho.
Neste sentido é fundamental acompanhar
com mais intensidade as eleições
das CIPAS para evitar que elas se tornem mais
um "cabide de emprego", ocupado por
trabalhadores que muitas vezes não dão
a mínima para as questões de segurança
do trabalhador. Precisamos lutar para que todo
cipeiro eleito seja sindicalizado e tenha uma
participação efetiva no trabalho
de base do dia-a-dia.
As CIPAS devem ser orientadas para que em todo
e qualquer acidente no ambiente de trabalho seja
exigida a emissão da CAT (Comunicação
de Acidente de Trabalho) pela empresa. Os patrões
não podem dizer o que é ou não
acidente de trabalho típico, pois esta
é uma definição legal. A
empresa tem que cumprir a lei.
É necessário que tenhamos uma
intervenção nas fábricas,
através das CIPAS organizadas e apoiadas
pelo Sindicato, para exigir que a empresa tenha
posto compatível com o estado de saúde
dos lesionados.
COMISSÕES DE PLR
É fundamental que os Sindicatos Locais
do setor chamem para si a responsabilidade de
cobrar em todas as empresas a eleição
das comissões de PLR, com participação
do sindicato e estabilidade aos membros eleitos.
As comissões de PLR devem ser um organismo
privilegiado de organização em defesa
dos direitos dos trabalhadores.
Num total ataque ao direito de organização
dos trabalhadores e para enfraquecer a luta dentro
e fora do local de trabalho, as empresas têm
intensificado a perseguição a dirigentes
sindicais, cipeiros e ativistas, ameaçando
com punições, advertências,
suspensões, cortes de horas, afastamentos
por falta grave etc...
COMISSÕES DE FÁBRICAS
É tarefa dos Sindicatos Locais, fortalecer
o trabalho de base e impulsionar a criação
nos locais de trabalho de organismos de representação
dos trabalhadores.
Os organismos de representação
dos trabalhadores tem um papel de extrema importância
no dia-a-dia sindical, uma vez que são
estes representantes que são responsáveis
pela primeira ação sobre os problemas
e reivindicações, Neste sentido,
a preparação e formação
política destes representantes é
imprescindível.
FORMAÇÃO SINDICAL E POLÍTICA
Para melhor compreender a sociedade e o sistema
capitalista sob uma visão classista, os
dirigentes sindicais, cipeiros e ativistas precisam
estar constantemente informados e atualizados
para elaborar as lutas em defesa dos trabalhadores.
O SINAP e os Sindicatos Locais devem elaborar
programas formativos objetivando ampliar a consciência
de classe dos trabalhadores, da militância
e dos dirigentes, fortalecendo assim as ações
classistas a partir dos locais de trabalho em
todos os níveis.
Devemos, ainda:
a) Resgatar, em todo processo formativo e em nossa
ação sindical, a questão
da luta de classes; concepção e
prática sindical e história do sindicalismo;
b) Orientar para que os programas formativos levem
em conta sempre questões como: Gênero,
Raça, Etnia, Orientação Sexual,
Idosos/ Idosas, Meio Ambiente, etc;
c) Realizar seminários sobre as formas
de organização no local de trabalho
para ampliarmos a compreensão sobre o tipo
de organização nos locais de trabalho
que queremos frente à reforma sindical
(SUR, Comissões de Fábrica, etc...).
d) Fortalecer o coletivo de formação
do SINAP e orientar a criação dos
coletivos nos Sindicatos Locais.
e) Buscar formas de articulação
dos programas de formação do SINAP
com os programas dos Sindicatos Locais do setor.
SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE
Frente à reestruturação
produtiva implementada nestes últimos dez
anos, as conseqüências já se
manifestam de forma degradante: as LER/DORT estão
atingindo os trabalhadores de forma assustadora,
principalmente a mulher trabalhadora, que também
é a principal vítima do assédio
moral.
Os acidentados no trabalho, sofrem discriminação
por parte dos patrões que os lesionam,
sofrem descaso do Poder Público, neste
sentido, é importante criarmos núcleos
de lesionados por fábrica, setor ou região
para discutir uma política para a saúde
do trabalhador.
Os Sindicatos Locais devem manter convênio
com o INSS para a emissão e acompanhamento
de benefícios dos trabalhadores.
A questão ambiental é outra bandeira
que deve ser assumida pelos Sindicatos Locais,
pois a negligência da empresa coloca em
risco a saúde e segurança dos trabalhadores
e da população local.
As doenças relacionadas ao trabalho, especialmente
as LER/DORT, estão disseminadas em todo
país, fruto da reestruturação
produtiva e das péssimas condições
de ambiente de trabalho, que geram muito lucro
aos patrões.
Exigir o efetivo funcionamento da ANAIPIN e
encaminhamento de denúncias sobre contaminação
de afluentes, degradação do meio-ambiente
e emissão de gases e líquidos.
Em algumas fábricas, um grande número
de trabalhadores está lesionado ou com
sintomas que poderão se transformar em
doença ocupacional.
Como este tema envolve toda a categoria, consideramos
que temos que ter uma ação conjunta,
de todos os Sindicatos Locais para combater as
doenças profissionais e as relacionadas
ao trabalho, como é o caso da LER que se
alastra como uma epidemia.
A luta dos trabalhadores contra as doenças
relacionadas ao trabalho também deve ser
"para fora". Temos que fazer denúncias,
com base nos dados levantados pelos Sindicatos
Locais, para todos os órgãos do
governo que tenham condições de
se manifestar e tomar providências, mediante
o conhecimento do fato. Isto implica também,
em uma campanha internacional com outros Sindicatos
irmãos.
Estimular os Sindicatos Locais para a criação
de um banco de dados sobre aposentados e afastados,
contendo o estado de saúde destes trabalhadores.
Estes bancos de dados deverão subsidiar
a construção de um banco de dados
centralizado no SINAP.
Temos enfrentado ainda nas fábricas o
problema do assédio moral que, através
da intimidação contra os trabalhadores,
tem levado a conseqüências gravíssimas
para a saúde.
Uma das formas de organizar a categoria no que
diz respeito à luta pela saúde no
trabalho é mapear as fábricas, fazer
pesquisas, saber como estão os trabalhadores
e como são as condições de
trabalho.
Para um trabalho positivo e mais efetivo devemos
instruir nossas denúncias com dados que
são retirados das entrevistas com os trabalhadores,
fruto do mapeamento. Saber como está o
ambiente de trabalho para sabermos como a doença
está evoluindo na categoria e como as empresas
estão se comportando com os trabalhadores.
Os Sindicatos Locais precisam ter uma política
para a Saúde que integre todas as atividades,
emitindo pareceres a partir do Departamento de
Saúde, em tudo que diga respeito ao assunto,
evitando ações isoladas que indiquem
rumos diferentes para uma mesma questão.
As ações intersindicais devem
sempre ter acompanhamento jurídico em razão
do tipo de relação que se estabelece
com os setores do governo envolvidos, além
das mobilizações para dar sustentação
e consolidação às ações.
Isto quer dizer que é necessária
a integração entre os Departamentos
de Saúde e Jurídico.
Devemos lutar:
a) Em defesa da saúde do trabalhador. Assumir
a Campanha por um Brasil sem LER;
b) Pela melhoria das condições de
trabalho e por programas de prevenção
e assistência aos trabalhadores sob risco
de acidentes e doenças ocupacionais;
c) Defesa do seguro acidente de trabalho;
d) Pela responsabilização e punição
das empresas que provoquem danos ao meio ambiente
e à saúde do trabalhador;
e) Contra o assédio moral e sexual;
f) Fazer um mapeamento de áreas contaminadas,
levantando os principais aspectos e impactos para
os trabalhadores.
g) Ampliar a Campanha pelo Direito de Recusa ao
Trabalho em Condições de Risco Grave
e Iminente.
h) Orientar os Sindicatos Locais sobre a importância
de participarem dos centros de Referência
do Trabalhador.
i) Que o SINAP recomende e acompanhe os Sindicatos
Locais na participação efetiva no
Projeto VIDA VIVA, como mais uma ferramenta de
abordagem sobre o tema vida, saúde e trabalho.
j) Lutar contra demissões de trabalhadores
doentes e acidentados.
ESTABILIDADE AO ACIDENTADO
Não bastasse todo este quadro de precarização
das condições de trabalho, saúde
e segurança do trabalhador, temos que incluir
nas nossas pautas e lutar pela garantia da estabilidade
e emprego ao trabalhador acidentado com seqüelas
até a aposentadoria.
O SINAP deve cobrar dos órgãos
públicos o atendimento das reivindicações
da classe trabalhadora. Precisamos implementar
uma grande campanha em defesa da saúde
e da vida do trabalhador, seja realizando atos
nas fábricas, ocupações no
INSS ou manifestações em defesa
da Previdência Pública.
É preciso, além da denúncia,
exigir o investimento em prevenção
aos acidentes e às doenças provocadas
pelo trabalho.
Para efetivar a implementação
destas diretrizes, o II Congresso decide:
a) Lutar em defesa da Saúde pública
e de qualidade;
b) Apoiar todas as lutas que defendam a saúde
e a qualidade de vida no local de trabalho;
SAÚDE DO(A) TRABALHADOR(A)
Se para os empresários competir significa
desdobrar-se diante das flutuações
do mercado globalizado, com os trabalhadores não
é diferente, pois são obrigados
a adaptar-se e aceitar as constantes mudanças
e novas exigências das políticas
competitivas, que interferem diretamente na vida
laboral.
A "flexibilização",
que na prática significa desregulamentação
para os trabalhadores (as), envolve a precarização,
eliminação de postos de trabalho
e perda de direitos, revisão dos salários
e razão da conjuntura, imposição
de baixos salários, jornadas prolongadas,
trabalhar mais com menos pessoas, terceirização
dos riscos, surgimento de novas doenças,
mortes, desemprego, informalidade, bicos e sub-empregos,
dessindicalização, aumento da pobreza
urbana. A ordem hegemônica do neoliberalismo
é reestruturação produtiva,
privatização, estado mínimo,
política de benefícios fiscais,
etc, que sustentam o abuso do poder e manipulação
do medo, revelando a degradação
deliberada da saúde do trabalhador.
O assédio moral no trabalho deve ser
combatido, para isso devemos constituir coletivos
multidisciplinares envolvendo a sociedade de maneira
geral, Sindicatos Locais médicos, profissionais
de saúde etc.
APOSENTADORIA ESPECIAL
É necessário que O SINAP articule
uma campanha em defesa da aposentadoria especial
para os trabalhadores (as) dos setores representados,
além disso, é necessário
encaminhar ao Ministério da Previdência
Social, propostas com reivindicações
de alterações na lei para beneficiar
os trabalhadores.
Além disso, são necessárias
outras alterações para que os trabalhadores
e trabalhadoras possam ter acesso à aposentadoria
especial, para tanto propomos:
a) Deve-se suprimir em todos os documentos as
expressões "que prejudicam a saúde
dos trabalhadores", uma vez que cada organismo
humano reage de modo diferente a exposição
a determinado agente, é impossível
estabelecer se esta exposição será
ou não prejudicial à saúde
ou integridade física.
b) Que os laudos técnicos, em sua elaboração/confecção,
tenham o acompanhamento obrigatório dos
segurados e dos Sindicatos Locais.
c) Que a Fundacentro seja o órgão
oficial para identificação, caracterização
e definição do que são atividades
penosas, insalubre ou perigosa para efeito previdenciário
e trabalhista.
ASSÉDIO MORAL:
Se considerarmos que o processo de assédio
moral é a forma desdobrada de dominação
e que ela aparece e é percebida pelos trabalhadores(as)
como um conjunto de humilhações,
constrangimentos, maus tratos e sofrimentos a
que estes estão submetidos.
Neste sentido é inadiável que
desencadeemos uma campanha contra o Assédio
Moral que contenha, aborde e expresse todos estes
elementos. Uma campanha que busque articular as
ações sindicais, jurídicas
e políticas, objetivando transformar esta
realidade.
Nossas ações não podem
se reduzir a um contato frio com o problema. Devemos
lançar mão de todos os meios possíveis
para combater e denunciar estas práticas
("carro de som" ou do "boletim"),
além de denúncias no ministério
público e ações na justiça.
JUVENTUDE
A juventude brasileira corresponde a 47% do
total de desempregados a nível nacional,
ou seja, é mais uma das várias portas
para a aliciação desses ao crime,
conforme podemos comprovar se levarmos em conta
a sua composição no alto índice
carcerário do nosso país.
No bojo dos debates com temas relacionados à
juventude é fundamental que se explicite
a importância e o papel do Estado em relação
a que tipo de políticas públicas
que devem ser aplicadas de forma emergencial,
como por exemplo, geração de emprego,
renda, educação pública e
de qualidade, esporte e lazer, para que essa parcela
da sociedade seja agente transformador e não
enfrentado como um problema que muito das vezes
acaba sendo ignorado.
No mundo do trabalho urge a necessidade de organização
da juventude no interior do movimento sindical.
Para o SINAP é estratégico sem sombra
de dúvidas, a inserção da
juventude no universo sindical. Devemos incentivar
a sindicalização destes jovens trabalhadores,
para que a partir daí, os jovens possam
entender sua realidade, se ver enquanto trabalhadores,
enquanto categoria e saberem a importância
da organização enquanto classe,
pois só assim poderão se sentir
de fato atores de sua própria história.
A participação dos jovens trabalhadores
na militância sindical se dá a níveis
muito baixos, em relação ao tamanho
que esses representam no mundo do trabalho, e
em relação as nossas necessidades
na formação de novos quadros no
movimento sindical.
São trabalhadores "criados"
pela ideologia neoliberal, que descaracteriza
o papel e a importância do sindicato, e
prega a parceria com a empresa, a competitividade
entre trabalhadores e a busca por produtividade
e lucro como objetivos deste "novo"
mundo do trabalho.
A empresa usa esta ideologia para disputar e
ganhar esses jovens trabalhadores, reforçando
a individualidade contra a coletividade. Mas,
são estes mesmos jovens trabalhadores,
os mais explorados, com menores salários
e exigidos em sua formação técnica,
dentro das fábricas.
Por isso, uma de nossas tarefas mais urgentes
é chegar a estes trabalhadores, conscientizá-los
e organizá-los na luta em defesa dos direitos
dos trabalha-dores, bem como por suas reivindicações
específicas. O Sindicato também
deve estar aberto e colocar sua estrutura à
disposição de atividades para a
juventude.
Que o SINAP e os Sindicatos Locais participem
e/ou promovam palestras em escolas para conscientizar
os jovens trabalhadores.
Neste sentido, para oxigenarmos efetivamente
o movimento sindical reforçando assim a
ação em pró da inclusão
permanente e definitiva na agenda sindical do
debate sobre os interesses específicos
da juventude trabalhadora, é de fundamental
importância apoiarmos o desenvolvimento
progressivo dos coletivos de juventude nos sindicatos
locais como forma de organização
e conscientização destes trabalhadores.
APOSENTADOS E PENSIONISTAS
Os aposentados e pensionistas constituem o segmento
da classe trabalhadora que mais cresce em termos
absolutos. A cada dia, a importância política,
social e econômica deste setor da população,
aumentam, no entanto, este seguimento cada vez
mais sofre as conseqüências da política
neoliberal com a redução de benefícios
e precarização das condições
gerais de vida, sendo discriminados com a ausência
de políticas de saúde, transporte,
lazer, moradia etc.
Por isso o SINAP orienta para que os sindicatos
locais organizem associações de
aposentados e realizem atividades para integrar
os Aposentados e Pensionistas do Setor, com os
companheiros e companheiras da ativa, buscando
cada vez mais uma atuação conjunta
e unidade na luta. Devemos reforçar a discussão
no sentido de que os Sindicatos Locais do setor
busquem dentro da sua realidade regional contemplar
a participação de companheiros aposentados
nas direções sindicais com voz e
voto.
É importante que o SINAP e os sindicatos
locais dêem mais importância aos companheiros
aposentados e pensionistas. O SINAP não
deve medir esforços para apoiar e participar
de todas as lutas dos aposentados e pensionistas.
Diante disto propomos as seguintes bandeiras
de luta:
a) Por uma política permanente de valorização
do salário mínimo.
b)Pela ativação da comissão
mista de discussões permanentes para a
formulação de políticas públicas
para o setor papeleiro.
c)Por mudanças concretas visando à
recomposição integral das perdas
dos benefícios e a agilização
dos processos e precatórios dos aposentados
e pensionistas.
d)Pelo pleno cumprimento do Estatuto do Idoso.
e)Pela capacitação dos funcionários
públicos no local de trabalho, para melhorar
o atendimento aos aposentados, pensionistas e
idosos;
f) Pela viabilização dos cursos
de capacitação para a direção
do SINAP e dos Sindicatos Locais sobre previdência
e seus desdobramentos;
g)Pela melhoria no relacionamento entre o INSS
e os aposentados e pensionistas
h)Pelo apoio ao trabalho conjunto entre Associações
de aposentados e pensionistas, INSS, Data Prev
e Ministério da Previdência para
garantir a construção de uma política
pública que de conta das dificuldades de
relacionamento;
i) Pela parceria com o Ministério da Previdência
no sentido de colaborar com a moralização
da Previdência;
j) Pelo estabelecimento de um índice para
calcular o custo de vida dos aposentados, pensionistas
e idoso que ganham mais de um salário benefício.
ALCA
As negociações da ALCA mudaram
profundamente neste novo governo. A transparência,
a democratização das informações
e a participação popular nos fóruns
são evidentes.
No entanto, a aprovação de uma
área de livre comércio nas Américas,
representará um duro golpe em nossa soberania
e no nosso potencial de desenvolvimento econômico
e histórico. Neste sentido, O SINAP deverá
manter firme posição contra a ALCA,
pela soberania, pelo multilateralismo e pela autodeterminação
dos povos. Portanto, o plebiscito oficial sobre
a ALCA, será um marco decisório
e devemos lutar para que seja respeitada a vontade
do povo brasileiro.
Devemos nos esforçar na construção
de uma frente de resistência no continente
contra a ALCA. Devemos lutar também para
difundir todas as formas de luta em defesa da
solidariedade internacional a todos os povos oprimidos,
em especial aos povos palestinos e aos lutadores
e lutadoras do nosso continente.
O SINAP DEVE:
a) Buscar uma posição oficial pautada
em estudos e pesquisas sobre a questão
ambiental em fábricas de celulose e papel
no Brasil.
b) Estabelecer uma estratégia de combate
à inadimplência dos Sindicatos Locais
junto ao SINAP.
c) Buscar parcerias internacionais para financiamento
de programas do SINAP.
d) Buscar ampliar intercâmbios com entidade
sindicais internacionais ligadas ao setor papeleiro.
e) Participar ativamente da ICEM.
f) Política Internacional:
g) Fortalecer a luta pela integração
dos povos da América Latina, em articulação
com a Frente Continental de Organizações
Comunitárias - FCOC.
h) Pelo fim dos acordos com o FMI, que prejudicam
o país.
i) Pela suspensão do pagamento da divida
externa para a realização de uma
auditoria.
j) Apoio à política externa do Governo
Federal que busca fortalecer a soberania nacional,
a integração da América Latina
e dos paises em desenvolvimento.
k) Fortalecer a luta contra o imperialismo dos
EUA, pela paz e contra a guerra imperialista e
a Alca, de forma ampla e unificada através
da Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais,
do Fórum Social Mundial, e da FCOC.
l) Buscar fortalecer e participar de articulações,
fóruns e eventos internacionais no sentido
de unificar a luta contra o neoliberalismo.
POLÍTICA NACIONAL:
a) Lutar pela soberania e por um projeto nacional
de desenvolvimento econômico e social, com
geração de emprego, valorização
dos salários, garantia dos direitos sociais
e pelo fim da política de juros altos.
b) Lutar contra a independência do Banco
Central.
c) Garantia de que os investimentos públicos
não sejam considerados despesas e endividamento
do Governo Federal.
d) Lutar pela democratização do
poder público, e pela participação
do movimento sindical e social na elaboração
de políticas públicas.
e) Fortalecer a nossa participação
nos fóruns de articulações
das lutas sociais.
f) Pela democratização de todos
os meios de comunicação.
g) Que o SINAP organize seminários para
um maior aprofundamento sobre a legislação
ambiental com a presença de especialistas
para a abordagem do assunto.
h) Criar o dia nacional de lutas contra as terceirizações
com manifestações em todos os estados
e ao mesmo tempo a criação de uma
proposta de projeto-lei para encaminhar junto
ao governo pelo fim das terceirizações.
i) Fortalecer e expandir o SINAP nos estados através
da realização de seminários
e encontros com Sindicatos de Papeleiros.
j) Que o SINAP busque a criação
de um plano de previdência especial ao trabalhador
Papeleiro.
k) Buscar projetos de apoio e fortalecimento da
ANAIPIN.
l) Fiscalizar e intervir, quando possível,
na liberação de recursos dos bancos
públicos (BNDES, BB,CEF) para os projetos
na área de financiamento para instalação
e ampliação de fábricas de
Papel e Celulose.
m) Lutar pela equiparação de salários
nas empresas/grupos econômicos com bases
em diferentes estados e/ou unidades produtivas.
n) Que os Sindicatos Locais realizem debates,
campanhas, publicações referentes
às datas oficiais de luta ex: Combate a
AIDS, Dia Internacional da Mulher, Dia Nacional
da Consciência Negra, Dia do Trabalho, etc.
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