TECNOLOGIA
DA EXPLORAÇÃO Sabemos que a indústria de papel
e celulose está evoluindo tecnologicamente a todo o momento, cada vez mais
a automação toma o lugar do homem, em conseqüência disto
à contribuição social do emprego fica cada vez mais escasso.
Além da automação uma constatação
em nome dela está sendo observada, as empresas reduzem seus quadros e aqueles
trabalhadores que ficam são cada vez mais sobrecarregados nas suas tarefas.
Um dos exemplos claros está acontecendo mais significativamente desde
o ano passado no Laboratório Central da Klabin Riocell, onde equipamentos
mais sofisticados foram comprados pela empresa para agilizar os resultados das
análises e um transportador de amostra também foi adquirido.
Em razão desta nova estruturação foram demitidos oito
laboratoristas do turno. Algumas análises foram reduzidas, contudo, outras
acabaram voltando e se o processo de produção tem problemas as freqüências
de análises aumentam. Existem algumas análises ambientais
que são realizadas no horário administrativo, mas nos finais de
semana acabam passando para os laboratoristas do turno. A sobrecarga
de trabalho em cima dos laboratoristas do turno no laboratório central
é enorme, a alimentação do laboratorista fica em segundo
plano, alguns laboratoristas preferem não fazer sua refeição
e sim um lanche no local de trabalho, só vão ao banheiro quando
o organismo não agüenta mais, tudo para dar conta de suas tarefas.
Em nome de redução de custos a empresa prejudica a qualidade
do trabalho daqueles que conferem a qualidade do processo de fabricação
e da qualidade do seu produto final. No laboratório central existiam
três postos de trabalho por turno, hoje existe apenas um. Sabemos que em
todo trabalho, onde para sua realização é necessário
fazê-lo correndo, a qualidade deste trabalho em algum momento pode ser prejudicada.
Sindicalistas do setor também prejudicados por esta situação
colocaram suas posições contrárias junto aos Assistentes
Técnicos e a Gerência do setor, mas a situação continua
a mesma. O que percebemos é que a empresa estipulou uma meta para a redução
de custos do setor, e ela foi atingida a qualquer preço, não foi
levado em conta o bom senso para uma meta mais realista. Nesta situação
quem está pagando a conta é o trabalhador, que cada vez mais é
explorado, em alguns momentos trabalha por três laboratoristas.
Nestas condições para atendimento de metas de redução
de custos a saúde do trabalhador é sempre prejudicada, acarreta
a elevação do nível de stress que em longo prazo pode acarretar
problemas mentais e psicológicos dos trabalhadores. O problema muitas vezes
manifesta-se inicialmente com excesso de cansaço, insônia, perda
de memória, depressão, neurose, etc. Hoje esta situação
de exploração é prejudicial para as condições
e a qualidade do trabalho dos laboratoristas e os custos para a saúde do
trabalhador são caros. Acreditamos que o melhor caminho é o bom
senso, e este caminho implica numa revisão de metas com critérios
mais humanos. João Caldas é Secretário de Política
Sindical do SINAP - STIP Guaíba-RS |