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  João Caldas

TECNOLOGIA DA EXPLORAÇÃO

Sabemos que a indústria de papel e celulose está evoluindo tecnologicamente a todo o momento, cada vez mais a automação toma o lugar do homem, em conseqüência disto à contribuição social do emprego fica cada vez mais escasso.

Além da automação uma constatação em nome dela está sendo observada, as empresas reduzem seus quadros e aqueles trabalhadores que ficam são cada vez mais sobrecarregados nas suas tarefas.

Um dos exemplos claros está acontecendo mais significativamente desde o ano passado no Laboratório Central da Klabin Riocell, onde equipamentos mais sofisticados foram comprados pela empresa para agilizar os resultados das análises e um transportador de amostra também foi adquirido.

Em razão desta nova estruturação foram demitidos oito laboratoristas do turno. Algumas análises foram reduzidas, contudo, outras acabaram voltando e se o processo de produção tem problemas as freqüências de análises aumentam.

Existem algumas análises ambientais que são realizadas no horário administrativo, mas nos finais de semana acabam passando para os laboratoristas do turno.

A sobrecarga de trabalho em cima dos laboratoristas do turno no laboratório central é enorme, a alimentação do laboratorista fica em segundo plano, alguns laboratoristas preferem não fazer sua refeição e sim um lanche no local de trabalho, só vão ao banheiro quando o organismo não agüenta mais, tudo para dar conta de suas tarefas.

Em nome de redução de custos a empresa prejudica a qualidade do trabalho daqueles que conferem a qualidade do processo de fabricação e da qualidade do seu produto final.

No laboratório central existiam três postos de trabalho por turno, hoje existe apenas um. Sabemos que em todo trabalho, onde para sua realização é necessário fazê-lo correndo, a qualidade deste trabalho em algum momento pode ser prejudicada.

Sindicalistas do setor também prejudicados por esta situação colocaram suas posições contrárias junto aos Assistentes Técnicos e a Gerência do setor, mas a situação continua a mesma. O que percebemos é que a empresa estipulou uma meta para a redução de custos do setor, e ela foi atingida a qualquer preço, não foi levado em conta o bom senso para uma meta mais realista. Nesta situação quem está pagando a conta é o trabalhador, que cada vez mais é explorado, em alguns momentos trabalha por três laboratoristas.

Nestas condições para atendimento de metas de redução de custos a saúde do trabalhador é sempre prejudicada, acarreta a elevação do nível de stress que em longo prazo pode acarretar problemas mentais e psicológicos dos trabalhadores. O problema muitas vezes manifesta-se inicialmente com excesso de cansaço, insônia, perda de memória, depressão, neurose, etc.

Hoje esta situação de exploração é prejudicial para as condições e a qualidade do trabalho dos laboratoristas e os custos para a saúde do trabalhador são caros. Acreditamos que o melhor caminho é o bom senso, e este caminho implica numa revisão de metas com critérios mais humanos.

João Caldas é Secretário de Política Sindical do SINAP - STIP Guaíba-RS


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